domingo, novembro 9

Transferências para 2009 e 'comunicado'

Ivan Basso - Suspenso - Liquigas
Lance Armstrong - Retirado - Astana
Sylvain Chavanel - Cofidis - Le Crédit par Téléphone - Quick Step-Specialized
Allan Davis - Mitsubishi-Jartazi - Quick Step-Specialized
Thomas Dekker - Rabobank - Silence-Lotto
Markus Fothen - Gerolsteiner - Team Milram
Juan Manuel Garate - Quick Step - Rabobank
Philippe Gilbert - Française des Jeux - Silence-Lotto
Vladimir Karpets - Caisse d'Epargne - Katyusha
Servais Knaven - Team Columbia - Team Milram
Robbie McEwen - Silence-Lotto - Katyusha
Maxime Monfort - Cofidis - Le Crédit par Téléphone - Team Columbia
Nick Nuyens - Cofidis - Le Crédit par Téléphone - Rabobank
Gert Steegmans - Quick Step - Katyusha
Maarten Tjallingii - Silence-Lotto - Rabobank
Fabian Wegmann - Gerolsteiner - Team Milram
Oliver Zaugg - Gerolsteiner - Liquigas
Haimar Zubeldia Agirre - Euskaltel - Euskadi - Astana
Sylvester Szmyd - Lampre - Liquigas
Yaroslav Popovych - Silence-Lotto - Retirado [Editado: informação incorrecta - assinou pela Astana]
Steffen Wesemann - Cycle Collstrop - Retirado

Estas são as transferências mais sonantes para a temporada que se avizinha (fora uma ou outra de que me tenha esquecido) que irei abordar no texto que se segue.

Ivan Basso: teve a sorte de ter várias equipas poderosas a manterem-se interessadas nele. Acabou por ingressar na Liquigas o que, na minha opinião, foi benéfico para ambas as partes. Agora resta a Basso justificar esta aposta da equipa italiana e tornar-se no líder que falta a esta equipa.

Lance Armstrong: tema já bastante debatido. Acho que bastaria à Astana manter os seus quadros para realizar uma excelente temporada. mas como um objectivo da equipa é promover o Cazaquistão mundialmente não há melhor publicidade do que acolher Armstrong nas suas fileiras.

Sylvain Chavanel: fez uma grande época e começou a justificar o porquê de ter sido considerado uma das maiores promessas do ciclismo francês. Sem Bettini na Quick Step Chavanel poderá assumir um papel mais de líder, menos libertino, o que o pode prejudicar já que a sua combatividade é a sua grande arma. Vamos ver como se irá adaptar a esta nova realidade.

Allan Davis: voltou a uma equipa grande do pelotão. É complicado dizer se é a equipa ideal pois apesar de ser uma equipa que dá importância aos sprinters, também é a equipa de Boonen. Vamos ver se este ainda jovem australiano tem a oportunidade de mostrar o que vale ou se apenas lhe estará destinada uma função de gregário.

Thomas Dekker: saiu da alçada da equipa que o viu crescer para o ciclismo talvez cedo de mais. Na Lotto vão esperar muito mais dele, pressão à qual ele ainda não está habituado. Talvez mais um ou dois anos de crescentes responsabilidades na Rabobank lhe fizesse bem, mas espero estar enganado.

Markus Fothen: mudança necessária para ver se confirma o potencial demonstrado há 2/3 anos. Talvez lhe fizesse melhor um ou dois anos de gregário numa equipa mais forte onde não se esperasse tanto dele, mas creio que a Milram também lhe oferecerá condições para recuperar a sua melhor forma.

Juan Manuel Garate: já devia ter mudado ao tempo. Uma equipa como a Andalucia, onde pudesse voltar a ser líder creio que seria o melhor para este ciclista mas, no seu caso, a mudança para onde quer que fosse é que era mesmo essencial.

Philippe Gilbert: ciclista impossível de manter. Ingressou na Lotto onde prevejo que fique alguns anos. Tem condições e apoio para brilhar e poderá dar muitos sucessos a esta equipa belga.

Vladimir Karpets: o seu tempo na Caisse também já tinha esgotado há 1/2 anos. Vai-lhe fazer bem a mudança para uma equipa do seu país, onde terá a hipótese de liderar. Espero bastante dele no próximo ano.

Servais Knaven: foi para a Columbia com a ilusão que iria ser a aposta da equipa norte americana em várias clássicas, mas isso acabou por não acontecer. Creio que este seu ingresso na Milram é acertado, pois poderá passar a sua experiência aos mais jovens e também ter mais liberdade para se apresentar com objectivos nas clássicas da primavera.

Robbie McEwen: grande negócio para a Lotto. Reduz o peso deste ordenado (que não devia ser assim tão baixo) na sua folha salarial o que lhes perimitirá maior flexibilidade na contratação de outros corredores. Em termos desportivos McEwen já provou que já não é o que era e que deve começar a ponderar uma retirada que dignifique a grande carreira que teve como sprinter.

Maxime Monfort: mostrou ter um grande potencial mas creio que a mudança não seria indicada já para esta temporada. Na Cofidis, para mais com a saída de Chavanel e Nuyens iria cimentar a sua posição de líder na equipa e garantir mais liberdade, por essa via. Na Columbia estará mais tapado. Veremos se conseguirá ganhar o seu espaço.

Nick Nuyens: saída compreensível. Não estava a conseguir fazer bons resultados por culpa de diversos factores pelo que creio que a saída acaba por beneficiar todas as partes envolvidas no negócio.

Gert Steegmans: fez bem em sair da Quick Step. Já tem idade, qualidade e experiência para se afimar por si próprio agora vamos ver se terá a estabilidade emocional necessária.

Maarten Tjallingii: prometeu muito na Shimano mas não confirmou tais expectativas na Lotto. Mesmo assim, creio que a mudança foi precoce já que este foi o seu primeiro ano na equipa belga. Vejamos se este ano a mais de experiência pode fazer com que venha a confirmar a sua qualidade na Rabobank.

Fabian Wegmann: grande compra para a Milram. Ciclista de nomeada, que será muito útil á equipa alemã tanto em termos desportivos como em termos de publicidade. Vamos ver se as suas prestações na estrada correspondem às expectativas criadas.

Oliver Zaugg: grande compra da Liquigas. Ciclista que já provou o seu enorme potencial nas épocas transactas exibindo-se sempre com grande regularidade, terá agora a sua oportunidade na equipa italiana. Será um bom gregário quando o tiver que ser mas também acredito que poderá mostrar o seu valor nas provas de menor nomeada de forma a ir ganhando experiência.

Haimar Zubeldia Agirre: mudança terrivelmente necessária. Acho igualmente que a Astana era das melhores equipas para este ciclistas e integrar. Será um ciclista que estará protegido, não tanto sujeito à pressão de ser líder, que terá a oportunidade de relançar a sua carreira para depois, daqui a sensivelmente 2 anos assumir a liderança de uma importante equipa do pelotão internacional.

Sylvester Szmyd: aprecio bastante este ciclista e acho que já devia ter saído da Lampre há algum tempo. Fê-lo este ano para uma equipa na qual terá de trabalhar para os líderes, mas que, se reparou nele, é porque o poderá querer para voos mais altos... Qualidade na alta montanha não falta.

Yaroslav Popovych: deverá ter outras razões para abandonar o ciclismo. Aos28 anos ainda tinha muito para dar e esta época era a ideal para reestruturar a sua carreira. Um bom ciclista que se perde. [Editado: informação incorrecta - assinou pela Astana]

Steffen Wesemann: sempre apreciei este ciclista. Completo, perdeu-se quando assinou por uma equipa de menor nomeada quando devia ter ficado numa que lhe permitisse disputar, com outras condições, maiores provas. Merece esta referência.

Erik Zabel e Paolo Bettini: dois dos melhores ciclistas nas suas especialidades que irão deixar muitas saudades. A nós resta-nos recordar os bons momentos que desfrutámos ao vê-los competir.


'Comunicado'

Este foi o último post deste blogue.
Para terminar a minha participação, queria dizer que gostei muito de escrever aqui tendo como companheiro o Semprenaroda. Ele tornou este blogue num sítio de referência da modalidade em termos nacionais e tenho de lhe agradecer a oportunidade de aqui escrever.
Juntos tornámos o blogue ainda mais forte e conhecido, com conteúdos ainda mais completos que creio que foram do vosso agrado.
Quando o Semprenaroda decidiu abandonar o blogue a minha tarefa tornou-se muito difícil já que as minhas responsabilidades também aumentaram e consequentemente a minha disponibilidade diminuiu.
Como referi aquando da sua 'retirada' entrei num 'período de reflexão' que termina hoje, com esta decisão.
Não posso comprometer os meus objectivos nem continuar a manter este blogue como uma obrigação em vez de como um 'hobbie', já que isso não seria benéfico para ninguém.
Para acabar este meu 'comunicado', apenas dizer que gostei muito de tudo isto, de trocar ideias com o meu parceiro e com todos vocês e tenho a certeza que no final deste projecto saio mais 'sabedor' do que quando nele entrei. Espero que se tenha passado o mesmo com vocês e quem sabe um dia, com mais tempo, reiniciemos um projecto semelhante.
Adeus e obrigado a todos!

Erik Zabel

Li que o sprinter Erik Zabel em 25 participações em Grandes Voltas (Giro, Tour e Vuelta), completou 23 dessas durante a sua carreira. É realmente impressionante!!

Já sabia que o alemão era um dos corredores que realizava mais corridas por ano, mas pensar que no total levou um ano da sua vida em grandes voltas e em pelo menos metade de cada, a acabar no top5 nas etapas!!

Existe alguém na história do ciclismo com tantas participações em grandes voltas?

terça-feira, novembro 4

Desilusões de 2008

Para além dos dissabores dos casos de doping tive outros em relação a alguns corredores devido às suas fracas prestações. Alguns porque os anos já lhe vão pesando, outros, simplesmente porque correu mal.


Yaroslav Popovych: Um dos corredores mais abaixo das expectativas nesta época, e certamente estarão de acordo. Até acabou no pódio no Paris-Nice, apesar de dar logo sinais de fraqueza na subida ao Monte Ventoux. No seu principal objectivo, desapareceu. Onde andava o ucraniano quando o seu chefe Cadel Evans estava sozinho no meio do trio da CSC?
Mais, líder da Silence Lotto na Vuelta sabem se chegou a acabar? Sim, foi 52º na geral...

Algo de Positivo: 3º na Classificação Geral do Paris Nice.


Danilo Napolitano: O sprinter italiano teve dois anos anteriores em crescendo o que previa uma época pleno de vitórias. E até teve alguns sprints bem sucedidos no início da época, um no Tour do Qatar e na Volta a Comunidade Valencia.
É verdade que nunca obteve muitas vitórias em grandes palcos, mas uma ou outra lá ia conseguindo e pelo menos dava muita luta aos que lhe ganhavam. Este ano, não foi ao Giro, faltou também ao Tour e resolveu vir aqui roubar algumas etapas aos nossos sprinters. Aparentemente em boa forma mudou-se para o país vizinho mas não fez nada de especial, um 4º lugar de etapa foi o melhor que conseguiu na Vuelta. Sem Benatti este ano, Napolitanno teve uma óptima oportunidade de se tornar um dos patrões da Lampre, mas falhou.


Algo de Positivo: duas vitórias na Volta a Portugal.
Foto cedida por: Rui Quinta/Ciclismo Digital

Leif Hoste: Sem vitórias esta época. Ok, nunca foi um corredor de vitórias mas geralmente de bons resultados. Nas clássicas de paralelo onde liderou uma das principais equipas neste tipo de corridas, fracassou. No Tour de Flandres o azar bateu-lhe à porta (furo) acabando apenas dentro do top 20, mas no Paris-Roubaix também não foi além de um 6º lugar. Mais não podia pedir ao seu companheiro Van Summeren quando perseguiu O’Grady e Devolder que andavam em fuga, todavia depois desta terminada e quando Boonen fez a selecção com um poderoso ataque, Hoste não resistiu e ficou para trás. Mais tarde, o Eneco Tour poderia ser outro trunfo para este excelente contra-relogista, mas passou ao lado. Enfim, para um corredor destes o balanço da época define-se em Março e Abril, onde esteve muitos furos abaixo. Assim sendo Philippe Gilbert estará ao seu lado em 2009.

Christophe Moreau: Um exemplo de um corredor que já devia ter deixado o ciclismo profissional quando saiu da AG2r em 2007. Já nesse ano tinha dado algumas más indicações depois do seu pior Tour mesmo depois de ter vencido o Dauphiné Liberé. Mas em 2008 como líder da Agritubel ficou mais uma vez manchado quando desistiu do Tour numa altura em que a caça ao doping andava ao rubro. Para além disso em 2008 limitou-se a acumular quilómetros nas pernas.

Algo de Positivo: vencedor da camisola da montanha na Volta Ciclista a Catalunya.


Mais alguém? Eu diria Filippo Pozzato, mas em relação a este talvez não haja tanta unanimidade.

domingo, novembro 2

Erik Zabel

O prometido é devido e apesar de ser já um pouco tarde aqui vai o post de "hoje à noite". Ele é um dos melhores sprinters de todos os tempos (senão o melhor...), o melhor do seu tempo. Ele é Erik Zabel. A par da escassez de temáticas neste período, esteve também a minha vontade de homenagear este grande ciclista, na sua época de retirada.

Biografia:
Baseado em: wikipedia.org
Erik Zabel (7 de Julho de 1970, Berlim Este) - exímio sprinter germânico. Conta com mais de 200 vitórias na carreira e com 9 classificações de melhor sprinter em Grandes Voltas. Uma curiosidade acerca deste ciclista é o facto de nenhuma destas vitórias em camisolas estar isolada na história. Isto é, todas as vitórias de Erik Zabel em classificações por pontos foram consecutivas: Tour (1996-2001) e Vuelta (2002-2004). Isto também significa que entre 1996 e 2004 Erik Zabel venceu sempre uma classificação por pontos, quer no Tour quer na Vuelta. A adicionar a isto, terminou sempre entre os 3 primeiros das classificação por pontos no Tour entre 1996 e 2008, com excepção de 2005.

Este sprinter alemão ficou também conhecido por ser um ciclista extraordinariamente completo para um sprinter. Conseguia passar bem a alta montanha (dos poucos senão mesmo o único puro sprinter a vencer a Amstel Gold Race, em 2000; venceu neste mesmo ano a Taça do Mundo, historicamente dominada por ciclistas melhores nas colinas/montanha), o que o distinguia de outros sprinters (Cipollini, por exemplo).

A sua mais memorável rivalidade deu-se no Tour de 2001 com Stuart O'Grady. Os dois disputaram intensamente a camisola verde na Volta a França tendo O'Grady inclusivamente entrado na etapa dos Campos Elíseos com 2 pontos de vantagem para Zabel. Apesar desta vantagem, o sprinter germânico conseguiu terminar a etapa atrás do vencedor, Jan Svorada, e à frente do 3º, O'Grady, pontuação que, somada à obtida nos sprints intermédios anteriores, lhe granjearam 8 pontos de vantagem no final das contas da verde. Ainda em 2001, foi nomeado Desportista Alemão do Ano.

Um outro episódio curioso na carreira de Zabel aconteceu no Milão - San Remo de 2004; levantou os braços demasiado cedo e acabou batido por Oscar Freire (já alguém se perguntou porque é que Zabel raramente levanta os braços quando ganha?).

Este germânico ficou também conhecido pelo comportamento muito profissional que mantinha, tendo uma disciplina de treino e gosto invejável pelo que fazia. Zabel era dos poucos corredores que competia todo o ano, incluindo algumas provas em pista durante o Inverno.

Tendo em conta estes predicados era previsível que não mudasse de equipa mas após não ter sido seleccionado para o Tour de 2005 a sua equipa de sempre (Deutsche Telekom/T-Mobile) e o próprio ciclista acordaram a separação. Zabel seguiu para a Milram onde ajudou Petacchi a vencer diversas provas mas continuou a mostrar que "ainda estava lá para as curvas". Venceu três etapas na Vuelta (2 em 2006 e 1 em 2007) e conquistou a medalha de prata nos Campeonatos do Mundo de 2006.

Por fim, ainda de referir que mesmo quando não obtinha vitórias em provas de topo, continuou sempre a fazer imensas posições no top 3 e inúmeras posições no top 10. Quando ia ao sprint muito raras foram as vezes em que terminou fora dos 10 primeiros. E Zabel ia sempre ao sprint.

Memórias:

- última etapa do Tour de 2001 (em inglês)
- artigo sobre Zabel e o Tour de 2002 (em inglês)
- vitória na 7ª etapa da Vuelta de 2007 (vídeo)
- vitória sobre Abdoujaparov (vídeo)
- vitória na 3ª etapa do Tour de 1997 (vídeo)
- 13ª vitória na Volta a Alemanha (vídeo)
- pódio e confrência de imprensa dos campeonatos do mundo de 2006 (vídeo)
- última vez que envergou a comisola verde no Tour (vídeo)
- última vez que ganhou a camisola verde no Tour (vídeo)
- Milão - San Remo 1997 (vídeo)

terça-feira, outubro 28

Djamolidine Abdoujaparov

Não se assustem com o título!
Apesar do esquisito nome este é um dos ciclistas que me faz ter pena de não ter nascido uns anos mais cedo só para o poder ver sprintar. Mas como não nasci, decidi hoje fazer um post sobre ele, em parte por estarmos no final da temporada e com pouco para falar, mas também por ser justo fazer uma menção a um dos mais proeminentes sprinters da sua geração.

Biografia

Abdoujaparov nasceu no Usbequistão no dia 28 de Fevereiro de 1964. "The Tashkent Terror" ("O Terror de Tashkent*") foi a sua alcunha como ciclista devido à sua ferocidade nos sprints. De facto, o seu estilo pouco ortodoxo motivou inúmeras quedas.

Uma das suas rivalidades mais intensas foi protagonizada com Laurent Jalabert na disputa pela camisola dos pontos da Volta a França: em 1991, ganhou Abdoujaparov; em 1992, Jalabert; em 1993 e 1994 de novo Abdoujaparov; por fim, em 1995, ganhou Jalabert.

A sua última vitória no Tour data de 1996 quando se aproveitou de uma fuga para vencer uma etapa acidentada. No ano seguinte, decidiu retirar-se da competição ao mais alto nível.

*capital usbeque

Fonte: wikipedia.org

Acerca de Djamolidine Abdoujaparov:
- tributo
- duelo com Zabel
- grande queda
- artigo sobre a sua última vitória na Volta a França (inglês)

sábado, outubro 25

Cervélo Team

Em época de crise a surpreendente Cervélo Team continua a dar que falar. Depois de assinar os líderes Carlos Sastre e Thor Hushovd, a equipa canadiana continua a reforçar-se de forma muito inteligente.
Vamos então debruçar-nos sobre as contratações da nova aposta da Cervélo, a sua equipa de ciclismo:
- Daniel Lloyd: referencia como um bom contra-relogista e trepador este ciclista britânico é pouco conhecido devido a nunca ter competido em nenhuma equipa europeia de maior realce. Efectivamente, chegou a competir na Giant Asia (equipa asiática) e no ano passado teve ao serviço da equipa belga de menor nomeada, DFL-Cyclingnews-Litespeed. Vamos ver como reage à pressão da maior notoriedade que vai ter este ano.

- Jeremy Hunt: sprinter australiano que prometeu mais que o que veio a provar. Esteve na Bigmat mas foi na Bookmaker que se destacou. A Credit Agricole apostou na sua contratação, mas o facto de ter de trabalhar para Hushovd (é a sua sina...) não o tem permitido brilhar no panorama internacional.

- Phillipe Deignan: jovem irlandês ex-AG2R. Mostrou ser um ciclista com qualidade na época passada, muito combativo. Será sem dúvida um bom gregário que se confirmar a sua qualidade poderá ter outras oportunidades.

- Hayden Roulston: ciclista neo-zelandês forte rolador com um boa ponta final. Será muito útil a Hushovd tanto na perseguição a fugas como para o sprint final. Tem capacidade para fazer resultados interessantes em provas com pouca montanha.

- Andreas Klier: germânico que foi para uma equipa de segunda numa das melhores fases da sua carreira. Este ano terá a oportunidade de voltar a brilhar nas clássicas
da primavera, sendo um forte candidato a ganhar algumas delas, caso se apresente na sua melhor forma.

- Marcel Wyss: ciclista completo que constitui uma das principais esperanças suíças da actualidade. Este ano deverá ter mais algumas oportunidades na equipa canadiana do que no ano passado na Scott.

- Ignas Konovalovas: talento lituano no contra relógio. Jovem de 22 anos que já por 2 vezes venceu o campeonato de contra relógio do seu país. O ano passado venceu uma etapa na Volta ao Luxemburgo bem como a classificação de melhor jovem da prova.

- Simon Gerrans: ciclista australiano completo, mas mais dotado para ajudar Hushovd a vencer etapas na Volta a França. Talvez a sua etapa conquistada no Tour de 2008 lhe venha a granjear outras oportunidades de brilhar.

- Iñigo Cuesta: ciclista espanhol extremamente experiente será o fiel escudeiro de Sastre na sua luta pelo top 3/5 do Tour do próximo ano.

- Xavier Florencio: ciclista relativamente semelhante a Andreas Klier, interessante para corridas de um dia. Vamos ver se recupera as boas prestações e a boa forma, porque poderá tornar-se um contratação muito útil para a Cervélo.

Esta equipa ainda contratou outros ciclistas de menor nomeada: Martin Reimer (talento alemão; ex - LKT Team-Brandenburg), Rasch (ex - Credit Agricole), Joaquin Novoa Méndez (ex - Team Avila Rojas Ceuta) e Serge Pauwels (ex - Chocolade Jacques-Topsport Vlaanderen).

quinta-feira, outubro 23

Tour 2009

Recentemente foi lançado o perfil da edição de 2009 da Volta a França em Bicicleta. Este é o balanço que está no site da prova:
* 10 étapes de plaine,
* 7 étapes de montagne,
* 1 étape accidentée,
* 2 étapes contre-la-montre individuel,
* 1 étape contre-la-montre par équipe.

Indo por partes.

Creio que é normal existirem 10 etapas em terreno plano. É complicado e também pouco entusiasmante ver uma volta com demasiada montanha já que isso acaba por retirar a "particularidade" destas etapas. Espero que a organização saiba distribuir bem as montanhas de 3ª e 4ª categoria por estas etapas de modo a termos uma luta acesa pela camisola das bolinhas. A luta dos sprinters será também um ponto muito interessante nestas etapas mas o facto de ser o primeiro Tour com Erik Zabel definitivamente afastado da competição de alto nível, faz com que vá seguramente sentir uma ponta de nostalgia.

Não percebo quando dizem 7 etapas de montanha e depois apenas 1 etapa acidentada portanto vou considerar 8 etapas de montanha. Parece-me um número razoável de etapas em terreno montanhoso mas não posso deixar de protestar contra o facto de haverem apenas 3 chegadas em alto. Se é uma medida para lutar contra o doping, acho-a errada porque não devem ser as provas mas sim os métodos de controlo a mudar. Infelizmente isto faz com que a prova vá ser decidida em apenas 3 dias porque já nem sequer o contra relógio vai influenciar em grande medida o resultado final.

A quilometragem dos cronos foi reduzida para um total de 55 km o que significa 2 coisas: menos espectacularidade da prova (aprecio bastante o contra relógio) e que vamos ter um contra relógio de Volta a Portugal na Volta a França (sendo que a França é inúmeras vezes maior que Portugal). O menos mal é que teremos o regresso dos contra relógios colectivos, ainda que a sua contribuição para a classificação geral individual seja moldada artificialmente.

Em suma, é um percurso que não permite tirar grande ilações acerca do que vai ser a Volta a França do próximo ano. Não gostei do número de chegadas ao alto ser tão reduzido nem da redução da quilometragem dos contra-relógios. Para equilibrar a balança vou dizer que apreciei o regresso do crono por equipas e do facto de termos a subida ao Mont Ventoux na penúltima etapa da prova.

terça-feira, outubro 21

Continuação do blogue

Ora bem, como o meu colega SEMPRENARODA já anunciou ele irá abandonar o blogue. Eu ponderei fazer o mesmo mas acho que ainda este blogue ainda tem potencial para continuar mais uns tempos. Eu ainda vou manter este blogue por mais algum tempo provisoriamente e, após um período de reflexão decidirei definitivamente se ficarei com o blogue ou não.
Como sabemos um blogue é alimentado pelas visitas e comentários dos seus leitores e todos os autores dos posts gostam e ficam motivados com o facto dos seus posts serem comentados já que isso favorece o debate e ajuda os autores a melhorar.

Resumindo, a partir daqui irei passar assumir a "gerência" com a participação possível do seu fundador. Estarei num período provisório até decidir ficar ou abandonar o blogue. Espero que continuem a gostar do blogue como até aqui.

domingo, outubro 19

Fim de época...

Realizou-se ontem o Giro de Lombardia, uma das minhas provas preferidas mas que este ano a corrida em si foi algo modesta, a meu ver faltou alguma emoção no fim. Mais uma vez ficou comprovado que o Cunego é um grande especialista neste tipo de corridas e não em Grandes Voltas como pretende ser.


Como têm reparado os posts têm vindo a escassear, isto deve-se ao facto de a época estar a acabar e também o meu semestre de aulas ter começado, assim sendo decidi parar e talvez encerrar este espaço.

Estive a falar com o Lopes, o outro colaborador deste blog e ele ainda pondera continuar, se for o caso continuarei também a escrever quando a saudade apertar.

Apesar de eu terminar aqui a minha função irei continuar a estar atento ao ciclismo, ficam aqui alguns sites de ciclismo que costumo e vou continuar a visitar:

http://www.podiumcafe.com/

http://magliarosa.wordpress.com/

http://xiclista.blogspot.com/

http://www.europeloton.com/

http://cyclingfansanonymous.blogspot.com/

http://www.pezcyclingnews.com/


Deixo também aqui a classificação do Jogo Sempre Na Roda onde a equipa vencedora foi a Na_Cola:


Equipas:

Na_Cola----------------------------(Leónidas)-----------------1561 pontos

Pão de Queijo----------------------(Gabriel Vargas)------------ 1470 pontos

Centro de Estudos de Fátima-------(David Rosa)----------------1173 pontos

Papa-Léguas-----------------------(Rui Ferreira)--------------1156 pontos

Cara no Vento----------------------(Marcelo Guazzelli)---------1125 pontos

Sobre_Rodas-----------------------(Mind_Peter)--------------1063 pontos

FC Porto---------------------------(Paulo Martins)-------------1022 pontos

Led_Team-------------------------(Rainden)------------------992 pontos

My team--------------------------(Volrath)-------------------935 pontos

Bettof team------------------------(Bettof)--------------------748 pontos

Los Cambitos----------------------(Fernando Saracura)-------625 pontos

Faça o download do excel com as pontuações completas neste link.


Agradecer ainda a todos que contribuiram para este espaço com ou sem comentários.

terça-feira, outubro 14

Algumas notas

Já passou algum tempo depois do meu útlimo artigo aqui neste site, por isso há algumas notícias ainda por abordar.

Começo com uma que na minha opinião é positiva, Lance Armstrong anunciou que irá correr o Giro no próximo ano, algo que nunca o fez. Penso que será bom tanto para a publicidade desta corrida, talvez atraia novas pessoas a ver este grande evento, como também poderá acrescentar competitividade pois no próximo ano a julgar pelos possíveis participantes, esta não será assim tanta. Talvez assim Alberto Contador continue na equipa. Com Armstrong a participar nesta corrida é quase certo que o espanhol será o líder da Astana no Tour de France, Armstrong deverá ser o plano B.
O americano tal como fez no Tour 2003 ao vencê-lo, no Giro poderá fazer semelhante feito se vencer em 2009 onde este comemora também o seu centenário.

Passando agora a duas notícias sobre doping: Stefan Schumacher e Bernhard Kohl da Gerolsteiner acusaram CERA no Tour de France. Eram os dois previsíveis apesar de eu não querer acreditar especialmente no primeiro. Mais uma vez não são apenas os da “old school” ou “velha guarda” mas um jovem como é caso de Kohl, mais uma vez ao lado de um seu colega de equipa mais velho e já com historial nestas andanças (Piepoli & Riccó). À semelhança de Piepoli, Schumacher já teve suspeitas e até casos confirmados, infelizmente continuam a existir pessoas dispostas a que a nova geração não se esqueça deste veneno. Hans-Michael Holczer o director desportivo desta equipa anunciou a retirada do ciclismo, um director muito interventivo na luta contra o doping mas que ficou mais que provado que sem um programa interno rigoroso, com controlos de treinos, médicos, treinadores e de valores sanguíneos, haverá sempre um ou outro corredor que tratará de manchar o resto da equipa. Olhando para os desempenhos destes dois no Tour de France, é caso para dizer que milagres ainda não podem acontecer no ciclismo... infelizmente.

Francisco Mancebo (Fercase-Rota dos Móveis) venceu a geral da Vuelta a Chihuahua Internacional e Javier Benitez (Benfica) venceu três em etapas. A última etapa espelhou bem o nível desta corrida com o Benitez a dar 2 segundos de avanço ao segundo no sprint final!! Há rumores que indicam Mancebo na Rock Racing para a próxima época.




Finalizo agora com uma notícia que me deixou muito feliz neste fim de semana, Phillipe Gilbert obteve a sua maior vitóra da carreira, a clássica que mais uma vez não foi para os sprinters: o Paris-Tour. São corredores como Gilbert que dão espectacularidade às corridas e que sabemos que se ele está presente, então fará tudo para atacar e para vencer mesmo que as probabilidades sejam quase nulas. Assim de repente, lembro-me que o belga atacou na Liege-Bastogne-Liege (La Redoute), Milan San Remo, Tour de Flandres, Gent Wevelgem ao lado de Pozzato, venceu a Omloop Het Volk à La Merckx; enfim, faria aqui uma lista de fugas mal sucedidas que o belga tentou só este ano. Foi sem dúvida merecidíssimo esta vitória assim como realçar o imprescindível trabalho de Mickael Delage que nos últimos quilómetros deu tudo o que tinha e não tinha pelo seu companheiro de equipa.
Pena é que para o ano Gilbert estará na Silence-Lotto e não terá uma equipa disposta a o ajudar nestas façanhas.

segunda-feira, outubro 6

Mercatone Uno

Numa altura em que as provas (bem como o tempo) escasseiam o debate em torno do ciclismo está a atingir um merecido descanso para férias. Nesta altura, para além de alguns casos de doping sobre os quais não me apraz escrever temos apenas algumas notícias sobre o badalado regresso de Lance Armstrong, também já aqui muito discutido. Por este modo decidi hoje "inovar" um pouco pelo que vos apresento a descrição de uma das equipas que marcou o passado recente do ciclismo mundial. É um texto muito baseado nos conteúdos da wikipédia mas, sendo uma espécie de biografia, nem me parece desadequado. Espero que apreciem e que a nostalgia se apodere de vós.

Mercatone Uno
Cadeia de supermercados italiana que iniciou o patrocínio à equipa de ciclismo em 1992 com o nome de Mercatone Uno-Zucchini, filiada em San Marino. Em 1993 obteve a classificação por pontos no Giro por Adriano Baffi. este acabou mesmo por ser o único feito da equipa nesta sua primeira fase já que em 1995, acabou. No entanto, o fim da Mercatone estava longe.
Em 1997 renasceu com o mesmo sponsor mas com uma estrutura renovada tendo-se filiado em Itália. Tal estrutura era baseada em Marco Pantani. este facto era tão notório que inclusivamente Gimondi comparou a estratégia da equipa á estratégia da equipa Bianchi dos anos 40 (baseada em Fausto Coppi).
Ainda em 1997 Marco Pantani acabou em 3º o Tour vencendo diversas etapas (Alpe D'Huez por exemplo).

No ano seguinte venceu tanto o Giro como o Tour tornando-se apenas o 7º ciclista a fazer a dobradinha Giro-Tour na história. Pantani dedicou estas vitórias ao recentemente falecido Luciano Pezzi, antigo director desportivo da equipa. Ainda no decorrer destes triunfos o director da cadeia de supermercados, Romano Cenni, afirmou que patrocinaria o ciclismo até que Pantani fosse ciclista (hum... onde é que já vi isto... Madaíl - Scolari... talvez)
Em 1999, quando estava a dominar o Giro foi suspenso devido a um elevado nível de hematócrito (abundância excessiva de glóbulos vermelhos o que faz com que o oxigénio seja transportado mais rapidamente, favorecendo o desempenho do corredor particularmente me alta montanha). Como consequência, toda a Mercatone abandonou a corrida.
Em 2000 a Mercatone ganhou efectivamente o Giro através de Stefano Garzelli que agradeceu a ajuda de Pantani. Garzelli viria a abandonar a equipa nesse mesmo ano apesar de ter contrato por mais um.

Quando Marco Pantani abandonou o Giro de 2002 existiram vários rumores que davam a equipa como extinta. Apesar disso a cadeia de supermercados viria a manter o patrocínio à equipa de ciclismo por mais um ano.
Em 2003 Pantani acabou em 14º o Giro acabando a equipa por ser extinta no fim desse ano devido à mais que provável retirada de Pantani. Muitos dos seus corredores acabaram integrados na sul africana Barloworld.

Designações ao longo dos anos:
1992-1993 Mercatone Uno-Zucchini
1994 Mercatone Uno-Medeghini
1995 Mercatone Uno-Saeco
1997 Mercatone Uno
1998-1999 Mercatone Uno-Bianchi
2000 Mercatone Uno-Albacom
2001 Mercatone Uno-Stream TV
2002 Mercatone Uno
2003 Mercatone Uno-Scanavino

Directores desportivos:
- Franco Gini (1992-1995)
- Luciano Pezzi (1997-1998)
- Franco Cornacchia (1999)
- Manuela Ronchi (2000-2002)

sábado, outubro 4

Frank Schelck, mais um "paciente" do Dr Fuentes?

Parece que vai estoirar mais um escândalo de doping no mundo ciclopédico. O chefe da Agência Anti-Doping Francesa anunciou no início do mês de Setembro que havia alguns testes de urina que foram suspeitos quando testados à procura da nova EPO, a chamada CERA. A Gazzeta já avançou que serão 14 corredores os que usaram CERA durante o Tour de France deste ano.

Há cerca de uma semana atrás um jornal alemão deu a notícia que Frank Schleck da Team CSC Saxo Bank depositou 7000 mil euros em 2006 na conta suíça do Dr Fuentes (o médico que esteve implicado na Operation Puerto). Hoje, ele e a sua equipa emitiram um press release onde o próprio admite ter cedido essa quantia para que o médico lhe desse conselhos de treino, mas nada de doping claro!!

Bjarne Riis já tem um passado com este médico, Tyler Hamylton e Ivan Basso foram dopantes da sua equipa e que mantinham ligações com o Doctor Fuentes, Jan Ulrich foi outro mas noutra equipa. Com a OP, estes gigantes começaram a “tombar” depois de implicados, mas muitos escaparam, Frank Schleck muito provavelmente foi um deles. Em 2006 não era nenhuma estrela e não tão bem paga como os três mencionados anteriormente, e comparando os pagamentos a esse médico de Basso e Ulrich onde a quantia ascendia a 40 mil euros, a de Schleck deveria ser uma simples iniciação, de doping ou não, esperemos descobrir. Mas a verdade é que o luxemburguês nunca teve um controlo positivo.


2006 foi o ano de afirmação de Frank ao vencer a Amsteal Gold Race.
Foto cedida por:
Capture-the-Peloton


Mais, com esta notícia Frank também assombra a carreira do seu irmão, um jovem de 21 anos a ficar em 2º no Giro, é preciso sem dúvida um grande talento mas será preciso mais?

É cada vez mais evidente que Riis esteve envolvido com doping na CSC. Talvez apenas antes da OP, depois apercebeu-se que cada vez está mais apertado e decidiu aderiu ao programa do Dr. Rasmus Damsgaard.

Frank Schleck está suspenso pela sua equipa, até novas conclusões.

Ao contrário de Riccó, a irmandade dos Schleck é sem dúvida uma das mais acarenhadas pelo público em geral (inclusive eu), será assim mais uma forte machadada nos fãs que sofrem pelos seus ídolos. Entretanto a OP apesar de arquivada, pelo menos no ciclismo é certo que ainda vai dar muito pano para mangas.

Texto interessante sobre este assunto: Ciclismo2005

quarta-feira, outubro 1

Crise económica

Para aqueles que acham este tema uma seca não se assustem com o título. Este texto vai ser uma espécie de "economia aplicada ao ciclismo" que como irão ver é um tema muito pertinente nesta altura.

Ora bem como todos sabemos esta crise económica global é das maiores da última década e consequentemente, das que mais consequências nefastas tem produzido. Já assistimos à ruptura de bancos, seguradoras, entre outras instituições. Felizmente para nós e pelas notícias provenientes do BCE temos a ideia que as instituições financeiras europeias, apesar de igualmente abaladas, continuam com condições de resistir a estas ameaças.

É exactamente neste ponto que entra o ciclismo. Se olharmos atentamente muitos dos patrocinadores das principais equipas do pelotão são instituições financeiras: AG2R, Caisse D'Epargne, Cofidis, Credit Agricole, Rabobank, CSC Saxo Bank, são alguns exemplos. Se estas rupturas nos EUA se estendem à Europa a continuidade de muitas destas equipas pode ser posta em causa o que seria muito mau para o ciclismo já que são equipas do top, necessárias para manter a competitividade que tem pautado este desporto ao longo dos anos.

Também não nos devemos esquecer que esta crise vai provocar uma diminuição no consumo das famílias que vai também afectar negativamente todas as outras empresas que poderão ver os seus lucros reduzidos o que poderá fazer com que esfrie o seu investimento no ciclismo ou mesmo que ele deixe de existir.

Por fim queria aqui deixar um pedido de desculpas a todos os economistas esta crise é consequência de muitos outros complexos factores que eu não referi. Fiquei-me pelo básico, talvez por querer focar-me mais no ciclismo, talvez por não saber mais, mas o único sentimento que extraio daqui é preocupação. A economia e o ciclismo são indissociaveis. E a economia está mal...

segunda-feira, setembro 29

Mundiais e duas despedidas.


Os Mundiais costumam ser emocionantes e este não foi excepção, a uma certa altura estava a ver que a corrida de ontem iria acabar num grupo enorme ao sprint, mas os italianos certificaram-se que isso não iria acontecer. Sem dúvida a selecção mais forte, uma das que atacou mais e quando era bem sucedido, tinha sempre mais de um homem ao contrário dos espanhóis que andaram no limite. Enquanto que na última volta apenas Joaquim Rodriguez e Garate conseguiram responder, na Itália era Cunego, Ballan, Rebellin e até Tossato que estavam constantemente na frente, assim não foi surpresa a esquadra azul ter esta vantagem no grupo decisivo. Outra selecção que teve em destaque foi a Bélgica, a uma certa altura pareciam que estavam todos dedicados a Boonen com Gilbert e Nuyens a puxar na frente do pelotão, mas na última volta tanto Nuyens como Van Goolen não resistiram e passaram ao ataque. Boonen no fim comentou a sua desilusão com os seus colegas pois sentia-se óptimo para um sprint final e já tinha avisado-os o que deveriam fazer, no entanto Nuyens afirma que no seu rádio disseram-lhe que Boonen já tinha abdicado da vitória!!

A equipa surpresa se assim se pode dizer foi a Dinamarca, ou talvez a CSC dinamarquesa já que tanto Breschel como Nikki Sorensen são colegas de equipa. Conseguiram entrar no grupo da frente, e Soresen foi fundamental para a sobrevivência deste grupo ao puxar quando este ainda era indefinido, ajudou também ao jovem Matti Breschel arrecadar o bronze para esta gélida nação.


Alessandro Ballan (à esquerda) é o novo Campeão do Mundo. Foi seguido de Damiano Cunego (à direita) seu colega de selecção e de equipa (Lampre), e o medalha de bronze foi o jovem Matti Breschel (Dinamarca).
Fotos cedidas por:
cyclingview.be


Quanto a Portugal não podemos dizer que foi mau, mas também não foi brilhante. Sérgio Paulinho fez o que pôde, talvez ficou à espera da última subida para mover-se no entanto o pelotão começou a partir-se antes, e só mesmo quem estava na frente conseguiu se manter lá, foram poucos os que recuperaram até ao primeiro grupo (Rebellin foi um deles pelo que me recordo...).

O aspecto negativo foi mesmo a realização, a começar pela prova de sub23 com o aparecimento quase mágico de Rui Costa no grupo da frente, e hoje nas últimas voltas onde os telespectadores andaram desnorteados procurando perceber a situação da corrida.

Apesar de tudo, a imagem do dia foi esta, a retirada de dois Campeões. Sinceramente a de Zabel não esperava pois pensei que ainda aguentasse mais um ano, assim sendo aposto cada vez mais numa mudança de Gerald Ciolek para a Team Milram. Arrisco a dizer com alguma certeza que Erik Zabel é o sprinter com maior historial de sempre na história do ciclismo, que não sendo muitas vezes o mais rápido, era o mais consistente; esta é sem dúvida a característa que ficará na minha memória e de muitos que o viram. Esquecendo o facto de se ter limitado a jogar pelas regras na década de 90, parece-me que foi um corredor que sempre honrou o ciclismo e adorava a bicicleta, prova disso é a quantidade de corridas que fazia por ano. Nestas últimas épocas notou-se também a “falta de pernas”, mas que compensou com a sua experiência e excelente posicionamento que resultava num quase certo top5 nas etapas que disputava. Quanto a Bettini apesar de afirmá-lo que não, caso vencesse pela terceira vez iria com certeza continuar, assim sendo, parece que é definitivo. Dois grandes símbolos de uma geração difícil mas vitais à continuidade de muitos amantes desta modalidade.

sábado, setembro 27

Rui Costa

É complicado escrever hoje sem ser sobre o ciclista do Benfica que tão bem representou a nossa selecção nos campeonatos do mundo de sub 23 tanto em estrada como no contra relógio.
Depois do bom 8º lugar que obteve no crono, ficou apenas a 2 lugares do pódio na prova em linha, manifestando-se desapontado por ter atacado demasiado tarde.

Estas prestações já motivaram o interesse de várias formações de relevo do ciclismo internacional, entre as quais a Caisse D'Epargne que admitiu mesmo ter observado o ciclista português durante estes mundiais. Ora, tal publicidade é óptima para o ciclista português, sobretudo para estes novos ciclistas da geração de Rui Costa que, por arrasto, são igualmente alvos de atenção internacional.

Como eu já referi em texto passados, sinto-me desagrado por apenas termos 2 ciclistas a competir em equipas de maior relevo internacionalmente e por não termos qualquer equipa a representar as cores nacionais nas maiores provas do calendário. Por este motivo estas brilhantes prestações dos corredores protugueses deixam-me duplamente agradado porque fornecem ao nosso ciclismo algum mediatismo sempre necessário para que algo se torne popular e atractivo.

Este ano foi muito positivo para o ciclismo português que obteve várias conquistas importantes dentro de portas e fora delas conseguindo-se também alhear da publicidade negativa proporcionada pelo doping. A vitória na Taça das Nações, esta boa prestação nos mundiais, a vitória da equipa de Paulinho na Vuelta, a vitória de uma equipa portuguesa na Volta a Portugal, tudo isto constituem pequenos acontecimentos que quando juntos fazem com que seja possível apresentar uma excelente montra do ciclismo português.

sexta-feira, setembro 26

Armstrong na Astana e Contador...

O americano já assumiu que irá para a Astana, seria a equipa mais provável pois a sua cumplicidade com Johan Bruyneel é impossível de ser quebrada. O debate continua pelos fóruns, blogs, e a grande questão é o que fará Contador?


Alberto terá que abdicar do Tour caso continue na Astana, coisa que não pretende como já referiu à marca.com, depois de um ano ausente o seu intento é de voltar em 2009 para vencer outra vez. No entanto Armstrong também prentede isso, Bruyneel sabe que o amerincano é um projecto de um ano enquanto o espanhol é o futuro “Armstrong”, na próxima década com certeza que ainda dará vitórias em qualquer das grande Volta. Equipas atrás dele não faltam, Caisse d’Epargne seria uma das possíveis, assim como a Kayutsha, enfim, uma que tenha um bom suporte financeiro.


Uma coisa é certa, os três (Levi, Lance e Contador) ambicionam ir ao Tour 2009 com perspectivas de lutar pela geral, coisa que poderia acontecer caso fossem só dois, três parece-me impossível, alguém terá que abdicar. Assim, ou Bruyneel convence Contador a dedicar-se outra vez ao Giro e à Vuelta e deixa o Tour para Armstrong e Leipheimer, ou então Leipheimer vai embora, que também é uma possibilidade e Contador estaria ao lado de Armstrong no Tour. Sinceramente não acredito que os três líderes continuem juntos, ambos querem o Tour, e no caso dos dois americanos será a sua última oportunidade de serem bem sucedidos.

Existe ainda muitos cépticos no regresso de Armtrong ao ciclismo que começará no Tour Down Under, a verdade é que teremos outro português a trabalhar para o americano, esperemos que no Le Tour também.



Hoje (sexta-feira) a partir das 12h e até às 16h não percam a prova de estrada de sub23.

O novo campeão do mundo de crono é Bert Grabsch de 33 anos, é também o actual campeão alemão. Foi seguido de Svein Tuft (canadiano) e de David Zabriskie. Ruben Plaza obteve o 32º lugar.

quarta-feira, setembro 24

Astana e Mundiais

Hoje escreverei sobre 2 temas da actualidade do ciclismo: o regresso de Armstrong na Astana e inevitavelmente os mundiais.

Armstrong na Astana / Contador a pensar sair - esta deve ser das escolhas mais difíceis que qualquer manager já teve de fazer. Por um lado, e como já foi admitido pelo próprio governo do Cazaquistão, um importante objectivo da equipa é a promoção do país a nível internacional o que faz com que assinar Lance Armstrong seja um opção totalmente acertada. Contudo, é muito discutível a viabilidade desta opção no longo prazo. Sabemos que Contador é ou vai-se tornar no melhor ciclista do mundo em provas de 3 semanas, constituindo um valor seguro que todas as equipas quereriam ter. Apesar disto, a Astana é um equipa ligeiramente diferente de todas as outras precisamente devido ao seu orçamento. Ou seja, a Astana poderá justificar esta opção com um política de curto prazo tendo em conta que tem capacidades quase ilimitadas de construir grandes equipas ano após ano.

P. S. Escrevi isto supondo que a Astana terá de fazer uma escolha entre Contador e Armstrong, o que ainda não se sabe se é verdade.


Mundiais de contra relógio sub 23 (balanço) - ao observarmos as classificação desta prova apercebemo-nos do grande resultado que fez o português Rui Costa. Um lugar no top 10 nesta categoria é um excelente presságio para o futuro ainda para mais se for considerado que o ciclista do Benfica competiu no Tour de l'Avenir (no qual foi 2º) não muitas semanas antes deste contra relógio. Adriano Malori sagrou-se o campeão do mundo gastando 41m 36s para percorrer os cerca de 33.5 km do traçado. A medalha de prata foi para o alemão Patrick Gretsch com mais 50s que o italiano enquanto o último lugar do pódio foi ocupado pelo australiano Cameron Meyer a 1m 5s. Costa gastou mais 1m e 27s que Malori ficando a parcos 22s do pódio.

De referir ainda que Adriano Malori já tinha boas referência no que toca aos cronos: em 2006 e 2007 foi campeão italiano de juniores e sub 23 respectivamente.

terça-feira, setembro 23

Mundiais já nesta semana.


Começa hoje os Campeonato do Mundo de Estrada em Varese. A história desta cidade italiana tem cruzado com o ciclismo nas últimas décadas, alguns inesquecíveis corredores são desta cidade assim como há algumas corridas conceituadas nesta zona, (desenvolvimento no PEZcylingnews). O calendário das provas assim como a programação da Eurosport pode ser consultado aqui (superciclismo), nos próximos dias realizar-se-ão os contra-relógios enquanto que as provas de corrida de fundo será na sexta-feira para os sub-23 e sábado para os Elites.


Hoje será o contra-relógio de sub23 e apesar de não ser a sua especialidade talvez Rui Costa tenhas chances de um bom resultado, este ano conseguiu uma vitória num contra-relógio no Canadá a contar para a Taça das Nações, contudo era apenas de 8,3km e foi a quarta etapa, portanto os corredores já tinham uns quilómetros “em cima” derivado aos dias antes. Devido a estes factores é difícil avaliar as reais capacidades de Rui Costa e de Vítor Rodrigues, ainda para mais porque a aposta da nossa selecção deverá centrar-se sexta-feira, na corrida de fundo. Segue-se o contra-relógio feminino e depois o masculino. Cancellara já anunciou que não irá estar presente depois da longa e próspera época, assim, irá dar lugar a outro depois de alcançar duas vezes consecutivas o título no contra-relógio. Á espreita irão estar David Zabriskie o meu favorito, Levi Leipheimer, Michael Rogers, Stijn Devolder (Belgium), Gustav Larsson, David Millar e Ivan Gutierrez pela vizinha Espanha.


Na sexta-feira é a prova que eu com certeza não irei perder, a corrida de fundo onde a nossa selecção é bem capaz de conseguir um bom resultado. Tenho grandes esperanças, no entanto os jovens portugueses terão pela frente adversários que já conhecem tais como Marcel Wyss, Jerôme Coppel, Jan Bakelants, Rein Taaramae, Andrey Amador e outras possíveis surpresas...

No dia seguinte será a prova para os Elites Masculinos, onde os olhos estarão postos em dois homens que querem se tornar únicos na história do ciclismo, o espanhol Oscar Freire tem em mente o 4º campeonato do mundo enquanto Paolo Bettini o terceiro consecutivo. Ambos mostraram estar prontos para o seus objectivo principal da época, e também têm as melhores equipas ao seu dispôr. Na Itália, Davide Rebellin poderá fazer o primeiro ataque tal como no ano passado, ou mesmo Cunego e Ballan; na selecção espanhola será Valverde, Rodriguez ou Samuel Sanchez com liberdade para tal. Entre estes, outros que ambicionam pela vitória são: Stefan Schumacher, Fabian Wegman e Gerald Ciolek pela Alemanha; Alexandr Kolobnev pela Russia;Andy Schleck e Kirchen pelo Luxemburgo (Frank ainda em dúvida); Nuyens, Boonen e Philippe Gilbert pela Bélgica; Allan Davis e McEwen pela Austrália; Christian Pfannberger pela Austria e Karsten Kroon pela Holanda. Atendendo ao perfil do percurso são estes que penso que poderão discutir a vitória, enfim, candidatos não faltam!

Portugal irá representado por Sérgio Paulinho, Nuno Ribeiro, José Mendes, Nelson Vitorino, Ricardo Mestre e Tiago Machado, esperemos por boas notícias...

Uma característica especial dos mundiais em relação a outras clássicas é a constante mudança de percurso todos os anos. Isto é de facto relevante pois não acontece como na Milan San Remo, onde já se sabe que vai haver ataques no Poggio, ou o Koppenberg (Tour de Flandres) , o Mur da Fleche Wallone, enfim, torna tudo muito mais imprevisível para o espectador, pois os corredores, certamente estudam a pormenor os locais chave. Outro factor é sem dúvida envergar a camisola do “arco-íris” durante um ano, quando se vence uma corrida, o corredor é reconhecido no momento, mas quando se ganha aqui a visibilidade deste feito é notado durante uma época, esse corredor fica marcado pelo menos numa década de ciclismo. Nesta última década de todos os que obtiveram este título, para além dos já referidos, ainda Tom Boonen, Mario Cipollini e Igor Astarloa, este último foi o único que passou ao lado pois nunca mais se encontrou ao nível da vitória nos Estados Unidos.


Apostei 1 euro no Gerald Ciolek (Alemanha) no betandwin, como a ode era de 16 euros pode ser que tenha sorte...

As três vitórias de Oscar Freire (vídeo)

(Verona, 1999)

Nunca tinha visto a primeira vitória do espanhol e foi de facto brilhante, um pouco de sorte é verdade mas não é qualquer corredor que tem um sentido de oportunidade demonstrada aqui.

(Lisboa, 2001)

(Verona, 2004)

As duas consecutivas de Paolo Bettini:

(Salzburgo, 2006)

(Estugarda, 2007)


Para quem não tem Eurosport, em princípio irá dar para ver gratuitamente, Universal Sports.


Fotos cedidas por: Capture-the-Peloton

segunda-feira, setembro 22

Momento mais engraçado da Vuelta.



by startcommunication


Protagonizado por Juan Antonio Flecha na 16ª etapa.

domingo, setembro 21

Sprints da Vuelta

Acabada a edição deste ano da Volta a Espanha há uma coisa que realmente me chamou a atenção e que me preocupou. As chegadas em pelotão compacto. Se por um lado se pode dizer que vários novos talentos se mostraram e que isso é um ponto positivo, creio que é muito mau que nenhum sprinter altamente cotado se tenha realmente imposto nesta Vuelta.

1º 169 VAN AVERMAET, Greg BEL SIL 158
2º 31 CONTADOR, Alberto ESP AST 137
3º 51 VALVERDE, Alejandro ESP GCE 129
4º 33 LEIPHEIMER, Levi USA AST 116
5º 83 FDEZ DE LARREA, Koldo ESP EUS 88
6º 7 BRESCHEL, Matti DEN CSC 69
7º 58 RODRÍGUEZ OLIVER, Joaquín ESP GCE 69
8º 72 HINAULT, Sébastien FRA C.A 68
9º 111 MOSQUERA, Ezequiel ESP XAG 67
10º 66 MONCOUTIE, David FRA COF 65

É realmente muito preocupante que nesta classificação apenas constem 4 ciclistas que teoricamente são sprinters, e nem dos mais fortes. Van Avermaet já tem bons resultados na sua ainda curta carreira mas nada que fizesse suspeitar poder ganhar uma classificação tão importante na Volta a Espanha. E o mais alarmante é que não foi ele que melhorou substancialmente os seus desempenhos, a falta de competição é que foi uma constante durante a Vuelta; chegou-se ao ponto dos comentadores da estação televisiva pela qual eu acompanhava a última etapa dizerem que Greg Van Avermaet era o principal candidato a vencer uma etapa.

Pode-se argumentar que não foi assim tão porque pelo menos permitiu que novos ciclistas emergissem do anonimato do pelotão internacional mas para isso isto não é mau de se dizer numa Volta ao Benelux, ou numa Volta à Polónia. A Volta a Espanha tem uma história vasta que não se coaduna com as vitórias de ciclistas que ainda não provaram nada em competição de grau médio alto.

Se esta situação se mantiver sugiro que a seu tempo a organização comece a procurar uma forma de alterar este panorama, não muito prestigiante para a prova espanhola.