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quinta-feira, abril 24

Flèche Wallonne 2008: Kim Kirchen com um "timming" perfeito

Estava com grande vontade de postar logo a seguir à corrida mas por motivos “profissionais” foi impossível. Comecei a ver a partir dos últimos 50kms e posso dizer que foram brilhantes, os corredores estiveram realmente ao nível desta prova.

Andy Schleck e Nicki Sørensen foram as primeiras cartas de Bjarne Riis (director da CSC), juntamente com Van Den Broeck (Silence-Lotto), Addy Engels (QuickStep) e mais alguns, andaram na frente durante alguns quilómetros mas a Caisse d’Epargne fez um excelente trabalho na perseguição. Este grupo ainda numerado nunca teve mais de um minuto já que tanto Schleck, Matthew Lloyd (campeão australiano), Laurens Ten Dam (Rabobank).... são corredores de grande valor aos quais não se pode dar muita liberdade. Andrey Grivko (Team Milram) foi o último sobrevivente já que o ritmo do pelotão estava cada vez mais forte.

A 22km foram alcançados, o mini-pelotão liderava mas durou pouco tempo novo ataque da Team CSC?!! (A melhor equipa em prova mas Frank Schleck pareceu-me bastante bem na Amstel, porquê atacarem?! Talvez para evitar que fossem obrigados a comandar o pelotão....)
Desta vez foi Gustaf Larsson seguido desde logo pelo campeão alemão Fabian Wegmann e posteriormente de Alexander Efimkin (Quick Step). Estes três andaram com cerca de 30 segundos de vantagem para o pelotão que desta vez liderado pela Lampre esperava mais uma vitória de Cunego....

A chuva já se fazia sentir há algum tempo e para azar da CSC o sueco caiu a 6km da meta(vídeo)!! Wegman isolou-se e entrou no Mur (último quilómetro) com Efimkin em sua perseguição e a ganhar terreno....(talvez fosse diferente o final, se este azar não batesse à porta do sueco)




Uma pessoa olha para as fotos e estatísticas do Mur e fica impressionada, mas quando vê corredores desta categoria a estoirarem nesta “pequena subida” é qualquer coisa de assustador, exemplo disso é o sofrimento espelhado na cara do alemão depois de Cadel Evans já o ter ultrapassado.

Voltando ao pelotão foi Cadel Evans que basicamente fez estragos. Valverde desde cedo ficou para trás, Frank Schleck igualmente, os únicos eram Joaquim Rodriguez (Caisse d’Epargne), Cunego, estes que na última rampa também descolaram e só Rebellin e Kirchen seguiam-o na roda...

Sinceramente pensei que Rebellin fosse o vencedor; estava logo atrás de Evans na rampa final mas foi Kim Kirchen (Team High Road) na sua roda que conseguiu vencer. (depois da decepcionante Amstel, não pensei que pudesse ganhar)....Foi tudo uma questão de timming, claro que só os mais fortes conseguiriam resistir ao ataque de Evans hoje, mas o luxemburguês soube esperar pela altura certa e ultrapassar os dois já no fim da subida abrindo caminho para a vitória, sem dúvida a sua maior.

Davide Rebellin (Gerolsteiner) voltou a decepcionar-me outra vez, em anos anteriores não tinha dúvidas que hoje, era ele a ultrapassar o australiano e a vencer, no entanto viu-se que estava no limite acabando em 6º.

Nota ainda para os excelentes resultados de Robert Gesink e Thomas Dekker ambos da Rabobank, ambos jovens com grande futuro; Dekker já apontado como um futuro vencedor do TOUR, Gesink com perfil mais de trepador, será um futuro vencedor de uma destas clássicas.

Classificações:

1 Kim Kirchen (Lux) Team High Road 4.35.29 (43.45 km/h)

2 Cadel Evans (Aus) Silence - Lotto 0.01

3 Damiano Cunego (Ita) Lampre 0.02

4 Robert Gesink (Ned) Rabobank mt

5 Thomas Dekker (Ned) Rabobank mt

6 Davide Rebellin (Ita) Gerolsteiner mt

7 Michael Albasini (Swi) Liquigas 0.08

8 Joaquim Rodriguez (Spa) Caisse d'Epargne 0.10

9 Christian Pfannberger (Aut) Barloworld 0.15

10 John Gadret (Fra) AG2r - La Mondiale 0.20

54 Hugo Sabido (Por) Barloworld 3.20

terça-feira, abril 22

Flèche Wallonne 2008 (live stream): Hugo Sabido marca presença.

Vem aí a segunda Clássica desta semana, a 72ª edição da Flèche Wallonne já amanhã. Iniciada em 1936 e mais uma vez por um jornal, o Les Sports, a clássica do meio da semana já sofreu muitas alterações. Já chegou a ser de 300km, com diferentes chegadas, mas já há muitos anos tem o seu ex-libris a coincidir com seu final: o Mur de Huy, uma subida de 1300 metros com média de 9,3% de inclinação mas com impressionantes rampas de 25%!!! Os corredores partem de Charleroi e nos próximos 199,5 km terão que ultrapassar onze subidas sendo dessas, três passagens pelo Mur de Huy. Um constante “sobe e desce” ao longo do caminho mas onde os protagonistas costumam aguardar pela subida final para decidir a vitória.

Lance Armstrong em 1995 lançou um daqueles ataques que habituamo-nos a ver na alta montanha em França, obtendo talvez a sua maior vitória antes da grave doença.


Davide Rebellin (Gerolsteiner) vem defender o título alcançado o ano passado mas demonstrou alguma fraqueza depois do forte ataque de Schleck. Caso aconteça o mesmo do domingo passado, conta mais uma vez com os dois alemães, Schumacher e Wegman dois corredores explosivos, rápidos nestas pequenas subidas.

Para além dos candidatos referidos no post da Amstel Gold, amanhã teremos mais um de peso: o australiano Cadel Evans (na foto). É verdade que não é um grande finalizador e nunca ganhou uma clássica destas, as suas características são mais de endurance e não tão explosivas como acontece na parte final desta corrida. No entanto, com uma boa época aliada a alguma experiência sendo o seu melhor aqui, um 9º lugar, poderá lançar um mortífero ataque como Schleck quase conseguia no passado domingo. Penso que a Liege-Bastogne-Liege no domingo será o seu principal objectivo para esta semana e talvez onde possa ter mais hipóteses, já que é uma prova mais longa e mais dura.

Ricardo Ricco (Saunier Duvall) apesar de uma miserável época é sempre um forte candidato como demonstrou o ano passado. Robert Gesink (Rabobank) à semelhança do italiano, sempre teve um gosto por esta semana já tendo inclusive, bons resultados. Thomas Dekker já provou estar forte e se os dois chegarem junto à subida final, Gesink será talvez o mais capacitado a enfrentar os experientes sprinters das colinas...

De equipas menores mas que podem alcançar um top 10, o campeão francês Christophe Moreau vem provar à ASO, o erro de não lhe dar a hipótese este ano de defender o título no Dauphiné Libéré. Jerôme Pineau (Bouygues Telecom) e Simom Gerrans (Crédit Agricole) deram bons indícios no domingo que estarão igualmente preparados para o assalto ao Mur de Huy.

Amanhã saberemos quem é o maior candidato à vitória final da mais antiga dos Monumentos: a Liège-Bastogne-Liège.

Artigo de hoje sobre Davide Rebellin (cyclingnews).

Startlist.Site oficial.

Entrevistas: Damiano Cunego, Joaquim Rodriguez (Caisse d'Epargne)

Amanhã a prova irá dar na Eurosport a partir das 13h com chegada prevista para as 15h.30m.

Podem ver na internet através deste link do cyclingtv nessa essa hora também.


Foto cedida pelo site oficial da Silence-Lotto: www.davitamon-lotto.com