2º Fabian Cancellara (Team CSC): Ainda tentou deixar Boonen, mas foi aparentemente bluff, já estava de rastos no velódromo.
3º Alessandro Ballan (Lampre): O mais cansado do trio da frente, todavia sem grande ajuda de colegas ao contrário dos outros.(na foto)
Tacticamente mal:
5º Leif Hoste (Silence-Lotto): O belga que tem tido problemas desta vez não se pode queixar de azar. Teve uma equipa a ajudá-lo, é verdade que não tem um Devolder ou um O'Grady, no entanto esperava-se que integrasse o trio da frente. Foi batido pelas tácticas da CSC e Quick-Step!!
Em dia de azar:
Fillipo Pozzato (Liquigas) e Juan Antonio Flecha (Rabobank), ambos caíram antes do segmento do Arenberg, a cerca de 100km para o fim. Apesar de conseguirem juntar-se ao grupo da frente, já estavam demasiado cansados.
George Hincapie (High Road) foi outro que se pode queixar da falta de sorte: furou numa altura decisiva (a cerca de 50km para o final) comprometendo logo as suas aspirações.
Foi pena porque os três pareciam estar em grande forma!!
Surpresas do dia: Martijn Maaskant (Slipstream): Um holandês de 24 anos que fez a corrida da sua vida. Acabou em 4º lugar conseguindo distanciar-se do segundo grupo (Devolder, O'Grady..) já nos quilómetros finais. Até ajudou a Sillence-Lotto na última perseguição no entanto houve alturas que quase descolou(ataque de Boonen), mas conseguiu aguentar-se!! Está de Parabéns, tanto para ele como para a sua equipa.
Murillo Fischer (Liquigas): Sei que foi a primeira vez que acabou, não sei se foi a primeira que participou, no entanto, acabou no 22º lugar. Só mesmo Quinziato foi o único da sua equipa à sua frente, manteve-se no grupo da frente depois do Arenberg e acabou no grupo de Nuyens.
Bons desempenhos:
Fabio Baldato (Lampre):Apesar de não ser surpresa, com 39 anos conseguiu acabar em 10º lugar. Despede-se assim de uma das suas corridas preferidas.
Johan Van Summeren (Silence-Lotto): Excelente trabalho em prol de Hoste, muitas vezes a liderar o pelotão e especialmente quando Devolder e O'Grady atacaram. Penso que a equipa belga perdeu a corrida nesta altura, Van Summeren devia ter ido com eles, como não foi, tanto Hoste como Van Summeren tiveram que trabalhar arduamente para os recuperar, logo depois Boonen atacou, ficando Hoste sem reacção....
A clássica mais esperada do ano é amanhã, o “Inferno do Norte” num percurso de 259.5km sendo 52,8km em pavé (cobblestones). Se acham que o pavé no Tour de Flandres é mau, então leiam o que Chris Horner disse sobre os do Paris-Roubaix:
"Let me tell you, though - there's a huge difference between Flanders and Paris-Roubaix. They're not even close to the same. In one, the cobbles are used every day by the cars, and kept up, and stuff like that. The other one - it's completely different . . . The best I could do would be to describe it like this - they plowed a dirt road, flew over it with a helicopter, and then just dropped a bunch of rocks out of the helicopter! That's Paris-Roubaix. It's that bad - it's ridiculous."(Tradução)
O blog Maglia Rosa tem um artigo interessante sobre os vários segmentos de empedrado.
Depois de alguns anos secos este ano existe mais uma agravante: O MAU TEMPO, já existe lama devido à chuva durante a semana e parece amanhã, também irá chover amanhã!!Ainda o frio, com temperaturas entre os 4ºC e os 11ºC. Um dos mais míticos segmentos é o da floresta de Arenberg, no entanto em 2002 este percurso foi arranjado devido aos motivos que se vêm aqui:
Passando aos corredores:
Os dois Grandes Favoritos (ambos já venceram):
Os links no nome dos corredores contêm entrevistas recentes sobre a corrida.
Tom Boonen(2005): Apesar de uma época ainda sem grandes resultados, demonstrou no passado domingo que está ao seu melhor nível para poder vencer o seu 2º Paris-Roubaix. Enfim: força, resistência, e o seu maior trunfo: o sprint.
Fabian Cancellara(2006): Talvez o melhor rolador, grande equipa para o ajudar, uma prova à sua medida e a cima de tudo uma época sem precedentes...
Outros Favoritos:
Alessandro Ballan: 3º em 2006, um bom desempenho no passado domingo também no entanto estará sem ajuda na parte final, o que poderá vir a ser fatal.(Bicicleta)
Juan Antonio Flecha: O Paris-Roubaix corre-lhe no sangue e está em grande forma, esta demonstrada no domingo, conta também com uma boa equipa ao seu lado (Langveld). (Foto)
George Hincapie: Desperdiçou a sua oportunidade em 2006 e principalmente em 2005, tem finalmente uma equipa experiente para lhe ajudar e também um excelente desempenho no domingo tal como no T.O.Califórina.Depois de anos e anos como principal representante dos EUA, continua a ser a esperença dos americanos.
Leif Hoste:Tem estado azarado, um queda logo na primeira etapa dos 3 dias de Panne(no ínicio da semana passada) e no Tour de Flandres um problema técnico na bicicleta deitou por terra as aspirações do belga. Mas quem sabe se no domingo não seja diferente “Depois da tempestade vem a bonança”.
Nick Nuyens: Um magnífico 2ª lugar no passado domingo e quem sabe o 1º no Paris-Roubaix!!
Philippe Gilbert e Filippo Pozzato: Estiveram activos na Gent-Wevelgem, andarão no grupo frente e quem sabe irão fazer mexê-lo, mas mais do que isso penso que não.....
Stuart O’ Grady: Só o menciono porque ganhou o ano passado, no entanto com o mau tempo que se faz sentir, penso que não terá muitas hipóteses, mas poderá vir a ser uma preciosa ajuda para o suíço.(Vídeo com a vitória do ano passado)
Fiquei curioso quando há uma semana atrás vi na votação do Tour de Flandres um claro favoritismo para Cancellara, quase todos apostaram nele. No entanto depois do que viram dele nessa corrida: ele realmente teve momentos de fraqueza. Agora, apesar de ser uma corrida com as suas características a votação encontra-se dividida entre o suíço e Boonen, sem dúvida os dois maiores favoritos. No entanto o factor sorte é sem dúvida essencial, um exemplo disso:
(6min.30s do vídeo) Peter van Petegem (Davitamon-Lotto), Leif Hoste e Vladimir Gusev ambos da Discovery Channel atravessaram a passagem de nível com as cancelas já em baixo quando perseguiam o líder e vencedor da prova nesse ano (2006), Fabian Cancellara. Os três foram desqualificados.
O outro trio atrás também vinha disparado e se não fosse um dos juízes a impedir Flecha de progredir, talvez tinham ido pelo mesmo caminho, no entanto com consequências fatais!! Boonen e Ballan acabaram por ser 2º e 3ª respectivamente.
Um dos vários momentos míticos proporcionados pelo Paris-Roubaix(1996).
Três corredores chegaram juntos, todos da mesma equipa, da Mapei GB: Johan Museeuw, Gianluca Bortolami e Andrea Tafi por esta ordem.
O director desportivo da Mapei Gb, recebeu ordem do Patrão Giorgio Squinzi para que fosse Johan Museeuw a ganhar o seu primeiro P-R. Esta edição foi a mais rápida de sempre (43,31km\h) desde que o P-R mudou-se para uma rota a leste ainda mais difícil a partir de 1968.
2001, George Hincapie contra 4 corredores da Domo Farm Frites à sua volta(e dois furos). Incentivos de Johan Bruyneel ao seu homem. Servais Knaven da Domo Farm Frites seria o vencedor com o americano em 4º.
Quase tudo sobre o Paris-Roubaix:
Podem ver em directo na Eurosport a partir das 15.30 (hora de Lisboa).
Na internet podem ver através dos links nesta página que serão disponibilizados amanhã.
Pois é, olhei agora para a votação aqui ao lado e só vi um voto em Juan Antonio Flecha, o meu! Realmente é capaz de ser uma questão de fé a minha, já que sem dúvida tanto Fabian Cancellara como Tom Boonen são os grandes favoritos: já provaram que conseguem ganhar, “Ganhado”!! No entanto, talvez não tenham sido tão regulares como o espanhol, pelo menos nesta corrida. É verdade que Flecha nunca ganhou uma corrida pela Rabobank, é verdade; muitas vezes no pódio mas nunca ganhou nesta equipa. Todavia é um dos meus corredorespreferidos pois, demonstra ser uma pessoa humilde e talvez eu tenha um gosto especial por atletas em “2º plano” (no caso do ciclismo:Boogerd, Beloki no Tour), que não chegaram a realizar os seus objectivos (ou pelo menos todos). Segundo li: “A day not raced is a day not lived” (um dia sem andar de bicicleta é um dia sem vida), é o seu lema,pelo menos é isso que demonstra nas corridas, o prazer que ainda tem depois de quase 25 anos em cima duma bicicleta, sempre com uma cara de grande esforço mas é muitas vezes nestas alturas que desfere os seus ataques fazendo tremer os outros favoritos. Vou fazer aqui uma breve explicação porque acredito neste argentino que acabou por naturalizar-se espanhol:
Sempre foi um homem de clássicas, mas foi na Relax-Fuenlabrada em, que se tornou profissional. Também sempre fez referênica aos vários ensinamentos que lhe foram dados por vários corredores, Leonardo Piepolli, Pablo Lastras no entanto foi já na Fassa Bortolo que se começou a afirmar neste tipo de clássicas (cobblestones). Nesta equipa italiana foi um dos treinados por Giancarlo Ferretti juntamente com Cancellara, no ano de 2004 fez o seu primeiro Paris-Roubaix ficando logo em 13º. Ano seguinte já como um dos líderes de equipa a par do suíço, quase que ganhava a Gent-Welvegem depois de uma controversa recuperação de Nico Mattan, o vencedor. Dias depois, no Paris-Roubaix conseguiu um 3º lugar, 4º em 2006 e o ano passado foi 2º!, Só mesmo Stuart O’Grady num dia histórico consegui-lhe fazer frente. Esta época já conseguiu dois pódios: 3º na Brabantse Pijl onde Chavanel triunfou e 3º no Tour de Flandres, mais importante ainda; o poderoso ataque no Muur tendo sido o único que assustou o imparável Stijn Devolder de domingo.
Depois de Oscar Freire ter aberto ontem as portas aos espanhóis, talvez seja Juan Antonio Flecha o próximo, contando com a ajuda do inconformado e ainda jovem Sebástian Langeveld e do seu habitual “compatriota” Pedro Horrillo, pode ser que seja este ano. Pelo menos um record Flecha já tem: foi o primeiro argentino a vencer uma etapa no TOUR. No entanto, no domingo, Flecha terá pela frente um Cancellara na sua melhor época de sempre, bem como um Boonen a 100%.
Deixo aqui este velho ditado na esperança que se cumpra no domingo :“Água mole em pedra dura tanto dá até que fura”.
Kim Kirchen ganhou esta tarde a 4ª etapa da Vuelta ao País Basco mais uma vez disputada ao sprint num pelotão já reduzido. Depois de mais um grande trabalho da Astana em perseguição ao fugitivos, o luxemburguês acabou por "roubar" a etapa ao seu jovem companheiro de equipa Morris Possoni.
Ainda esta tarde, em Ourique, Manuel Cardoso (Liberty-Seguros) venceu a 2ª etapa da Volta ao Alentejo, se não me engano já vai na 3ª vitória esta época, vai num bom caminho para as 11!!
Navegando pela internet encontrei um artigo que apreciei imenso, relacionado com ciclismo claro, mas também com história o que me agradou particularmente.
Agradecimento especial ao Fotorepórter John Pierce (PhotoSport International) que me deixou traduzir o seu artigo com as suas fotos:
Alguns de nós têm idade suficiente para o saber, no entanto devemos transmitir ao mais novos para que não fique esquecido.
No cyclingnews existe um artigo sobre a Milan-San Remo. Nesse artigo eles mencionam esta corrida como a primeira dos “Monumentos” – O que não é totalmente correcto.
Eu sei o que eles quiseram dizer, mas devemos referir a Milan-San Remo como uma Clássica, como aliás ela o é.
Os Monumentos do ciclismo são na verdade um Monumento aos soldados mortos na I Guerra Mundial. Esses Monumentos são cinco.
Na minha experiência, tanto o Paris-Roubaix como o Liege-Bastogne-Liege são na verdade homenagens aos soldados mortos. As estradas que são usadas e protegidas pelas leis locais, eram as usadas pelos jovens soldados na primeira grande guerra.
Roubaix é conhecido por “L’enfer du Nord” que significa “O Inferno do Norte” – esta espressão vem dos soldados que foram colocados nesta zona. Os duros caminhos das quintas e os segmentos de empedrado que são usados, são os mesmos que foram deixados depois dos bombardeamentos da I Guerra Mundial.
Após a Guerra foi decidido dedicar a corrida aos soldados caídos em combate. A corrida começa em Compiegne 60kms a norte de Paris, onde a França obrigou a Alemanha a assinar a paz.(I Guerra Mundial)
Na mesma Compiegne, nas protecções laterais dos caminhos de ferro, Hitler obrigou os Franceses a renderem-se e declarou guerra ao resto da Europa. Ele tinha então a mesma carruagem levada posteriormente por estrada para Berlim, tendo sido emblematicamente destruída.
A corrida passa pela floresta de Arenberg, que em si, é uma lembrança ainda viva devido ao seu consumido solo. É proibido andar por esta área, excepto no Paris-Roubaix e mesmo nesse dia só os participantes passam pela Arenberg.
Liege-Bastogne-Liege é o mesmo, o itinerário da corrida passa por muitos Tanks e Panzers (veículo blindado alemão), os únicos sobreviventes da II Guerra Mundial pelo menos até hoje – são os cidadãos de Houffalize. É muito triste o que primeiro os alemães fizeram a esta cidade, e logo depois, o que fizemos para afastar a ocupação alemã. Foi muito pior do que em Dresden. Ainda nestes dias existe um Panzer alemão na praça principal desta cidade.
O avanço Alemão à volta de centenas de tanques, foi parado apenas por um punhado de pequenos tanques Britânicos e Americanos . Existem vários pequenos tanques Sherman (EUA) e Churchill (GB) fixados ao chão, bem como memórias à luta, que viu os ventos da guerra virarem-se contra os alemães.
Eles obrigaram os Alemães a ficarem sem combustível atacando o depósito principal. Existe um pequeno memorial na berma da estrada- Tenho a certeza que nenhum corredor alguma vez deu conta.
A Milan-San Remo é conhecida pela “la Primavera”, não é um Monumento para ninguém – no entanto é um monumental evento.