domingo, agosto 31

Equipa ideal

Para não estar sempre a falar de provas e resultados decidi hoje fazer um texto diferente. Creio que, senão todos, grande parte de nós já pensou num grupo de ciclistas que, juntos numa só equipa, fariam dela a melhor formação mundial (pelo menos na nossa cabeça). Baseando-me num misto de gosto pessoal e de qualidade indiscutível cá ficam os meus 9 corredores de eleição para disputar uma grande Volta:

Denis Menchov - é o meu trepador de eleição. Frio, calculista mas com uma tremenda qualidade tanto na montanha como no contra relógio. Todas estas características fazem dele, na minha opinião, um dos 3 melhores ciclista para voltas de 3 semanas da actualidade ou até mesmo o melhor se bem secundado.

Andreas Kloden - do mais profissional que há é um corredor que tem uma disponibilidade tremenda para ajudar a sua equipa independentemente do estatuto que já adquiriu. Como já tive oportunidade de escrever penso que este corredor geriu muito mal a sua carreira sobretudo quando saiu da T-Mobile para vir integrar a Astana. Podia e ia tornar-se o líder da equipa germânica e um dos ciclistas que ficariam para a história do ciclismo num patamar bem elevado. Assim a sua enorme qualidade está a ser desperdiçada em feitos menores mas nada disto me impede de escolher Kloden como o melhor backup para esta equipa.

Bernhard Kohl - é ainda muito jovem mas já mostrou que vai ter um grande futuro. Tem um valor tremendo na montanha e não se safa mal no contra relógio o que faz uma aposta segura para as edições vindouras de qualquer volta com alguma dureza. Nesta formação esperá-lo-ia um trabalho em prol da equipa. Apesar do seu grande potencial há aqui ciclistas já mais credenciados e experientes para liderar.

David Arroyo - não é dos meus favoritos mas no que toca a regularidade e capacidade de trabalho em montanha é muito bom. Se lhe derem espaço é capaz de fazer a diferença mas no trabalho para os líderes é ainda mais útil. Quando em forma é capaz de seguir com os melhores durante toda uma etapa de montanha o que faz dele o gregário ideal para qualquer chefe-de-fila.

Iñigo Cuesta - talvez uma escolha baseada mais no passado do que no presente, o certo é que Cuesta é um ciclista excepcional. As suas fragilidades ao nível do contra relógio fazem com que nunca tivesse atingido grande sucesso a nível individual mas a sua qualidade quando o terreno começa a inclinar faz dele um dos melhores gregários do pelotão.

Fabian Cancellara - é um todo-o-terreno formidável. Penso que só lhe falta mesmo uma vitória no alto de uma montanha porque de resto já venceu em todo o tipo de superfícies imagináveis. Tem uma qualidade ímpar no contra relógio e a sua disponibilidade para ajudar a equipa é também soberba. Prima pela regularidade exibicional, aparecendo quase sempre que a equipa precisa, pelo que raramente a deixa ficar mal.

Jens Voigt - se Cancellara é um TT, Voigt não lhe fica atrás. Apesar da sua veterania mostra-se sempre capaz de grandes feitos onde quer que participe, seja sucesso individual ou colectivo. Este ciclista é um faz tudo, um desenrasca. Ele ataca, persegue, vai buscar água, trabalha em subida, trabalha em descida, finaliza bem, enfim, faz mesmo tudo. É um ciclista altamente importante no plano táctico de qualquer equipa fruto da sua grande versatilidade, em suma, todos gostariam de um ciclista assim.

Erik Zabel - talvez pela sua forma actual não devesse estar numa equipa desta envergadura mas o meu gosto pessoal por este corredor fala mais alto. Apesar de realmente não ser o Zabel doutros tempos, aquele sprinter fortíssimo e extraordinariamente regular, ainda acumula muitas virtudes necessárias a qualquer equipa. A sua regularidade é ainda bem documentada pelas raras vezes que não está nos primeiros lugares sempre que a etapa é discutida ao sprint e actualmente a sua experiência vale ouro no ensinamento das gerações mais novas de sprinters.

Mark Cavendish - simplesmente o melhor da actualidade. Com Zabel no seu lançamento este jovem ciclista ganharia quase com 100% de certeza tudo o que disputasse já para não falar dos conselhos que receberia do mestre de outros tempos. Era muito bonito e interessante vermos a passagem de testemunho entre o melhor sprinter da década compreendida entre 1995 e 2005 (perdoa-me Cipollini) e o melhor sprinter da próxima década. Creio que, depois desta época, já não há dúvidas quanto ao sucesso futuro de Cavendish.


sábado, agosto 30

Será a terceira para Alberto Contador?


O principal candidato tal como está demonstrado na votação ao lado é sem dúvida Alberto Contador, o espanhol tem nesta edição oportunidade de entrar para um lote restrito de corredores que conseguiram vencer as três Grandes Voltas, entre eles Eddy Merckx, Jacques Anquetil, Bernhard Hinault e Felice Gimondi.


Venceu o Giro de Itália preparando-se na praia (como eu gosto desta piada!), mas a Vuelta foi sempre a sua aposta nesta época depois da exclusão da Astana do Tour. Contador talvez não saia muito beneficiado em relação aos seus directos adversários pois há muito mais montanha que contra-relógio, no entanto terá uma ajuda enorme caso tenha um dia mau. Andreas Kloden e Levi Leipheimer, ambos já vice-campeões no Tour de France são alternativas credíveis ao espanhol. Os dois com uma época regular, Levi Leipheimer com a vitória no Tour de Califórnia e agora uma recente na Clássica de Los Puertos, bem como Andreas Kloden ao vencer o Tour de Romandie mas uns furos abaixo no Giro de Itália, penso que passou uns dias adoentado. Quanto a Contador e Leipheimer ambos parecem estar em boa forma pois tiveram bons desempenhos nos Jogos Olímpicos no entanto a forma de Kloden ainda é desconhecida.


Será o ano de Carlos Sastre?
Foto cedida por John Pierce / PhotoSport International


O principal adversário de Contador talvez seja Carlos Sastre, o espanhol sempre se dá bem na corrida do seu país pois por duas vezes acabou no pódio. Ao contrário do Tour, a Team CSC-Saxo Bank não está só focada na vitória da geral, traz vários corredores à procura de vitórias de etapa mas tanto Inigo Cuesta como Jurgen van Goolen serão boas ajudas para Sastre na alta montanha.

Será um duelo interessante entre estes dois, Sastre vai sentir na pele o que Cadel Evans sofreu no Tour de France, a Astana apresenta-se como a equipa mais forte e com várias hipóteses à luta pela vitória, será uma dor de cabeça para os adversários.

Outro eterno candidato é Alejandro Valverde mas depois de mais um decepcionate Tour de France, o especialista em Clássicas quer deixar de vez os pódios e passar à vitória na Vuelta. Talvez seja preciso um incentivo destes, para que o espanhol ganhe confiança e deslumbre num Tour de France, mas até lá é ver para crer. David Arroyo, Daniel Moreno e Joaquim Rodriguez Oliver serão ajudas importantes bem como poderão ambicionar por etapas também. Valverde não demonstra muita confiança pois tem tido uma época muito longa mas com alguns triunfos importantes, no entanto o espanhol é rápido e talentoso e a montanha é um dos seus terrenos.

Damiano Cunego já não tem muito tempo para se assumir como um real candidato à vitória de Grandes Voltas. Uma aposta no Tour de France fracassada, uma verdadeira desilusão para os seus seguidores, tem aqui no entanto uma óptima oportunidade para se desforrar. Uma Vuelta à sua medida cheia de montanha e se não for aqui, não sei onde o italiano poderá ter êxito. Estou a ver que é o próximo Valverde à procura de uma vitória no Tour de France, mas também sem qualidade para tal, veremos isso nesta Vuelta.

Estes penso que serão os que poderão ambicionar pela vitória, no entanto nomes como John Gadret, Yaroslav Popovych, Mikel Astarloza, Ezequiel Mosquera, Sandy Casar, Evgeni Petrov e Carlos Barredo deverão ambicionar por um top10 e juntar-se aos anteriores nas etapas de montanha.


A Astana quer entrar com o pé direito vencendo o prólogo, um contra-relógio por equipas
de 7km e bastante técnico.

Foto cedida por John Pierce / PhotoSport International


Destaque ainda para dois corredores que apesar do seu valor já reconhecido, o factor juventude poderá ditar boas supresas.

Falo do trepador holandês Robert Gesink que este ano confirmou o seu valor ao ombrear com os melhores do mundo na alta montanha de França (Dauphiné Liberé). Estreia-se aqui numa Grande Volta a liderar a Rabobank, e vem de uma boa forma onde foi 10º em ambas as corridas dos Jogos Olímpicos. Estou curioso para vê-lo em acção, espero alguns ataques bem como um top 10, mas o facto de ser a sua primeira vez numa corrida desta dimensão, pode-lhe custar erros graves.

Não tão jovem e com provas dadas nesta corrida, o basco Igor Antón Hernandez lidera ao lado de Astarloza a equipa da Euskaltel Euskadi. Um notável trepador que tem evoluído progressivamente, confirmando-o com um 3º lugar na Geral do Tour de Suisse. Espero uma vitória na alta montanha e que ultrapasse o 8º da Geral na Vuelta anterior.

Startlist.

Entrevista a Alberto Contador. Quem é Alberto Contador?

Passem pelo PEZCycling pois tem lá uns artigos sobre a Vuelta interessantes.

Alguns vídeos do youtube de Vueltas anteriores.


Na Volta à Alemanha a Team Columbia venceu a etapa rainha, Linnus Gerdeman venceu no alto do Hochfügen seguido do companheiro de equipa Thomas Lokvist. Um fantástico desempenho do alemão que parece já estar recuperado da grave queda no Tirreno Adriático que lhe deixou parado mais de metade da época.

Na Volta à Irlanda, Mark Cavendish venceu três etapas consecutivas!!


sexta-feira, agosto 29

Antevisão da Volta a Espanha (conclusão)

Gerolsteiner - tem uma equipa relativamente completa para todos os terrenos caso os corredores se apresentem em boa forma. Davide Rebellin é um ciclista muito completo que pode facilmente ganhar etapas. Schumacher, para além de ser um corredor muito completo, semelhante a Rebellin, tem-se vindo a especializar no contra relógio o que faz com que, juntamente com Sebastian Lang, constituam dois nomes importantes para os cronos. Haussler já nos mostrou talento mas está na altura de se afirmar como um sprinter credível no pelotão internacional pelo que urge vencer uma etapa. Por fim, Zaugg demonstrou também muita qualidade na alta montanha mas ainda não apresentou nenhum resultado de real destaque. Vamos ver se é nesta Volta a Espanha que este corredor vai finalmente confirmar as suas qualidades.

Xacobeo Galicia - tem uma equipa unicamente vocacionada para o terreno montanhoso que terá como objectivo levar Ezequiel Mosquera a uma boa classificação geral individual (top 5). Grande parte dos ciclistas que constituem esta equipa são muito dotados na média e alta montanha pelo que a camisola da montanha também poderá ser um objectivo para esta equipa espanhola.

Lampre - depois do fracasso que foi na Volta a França, Damiano Cunego apresenta-se na Volta a Espanha supostamente para a vencer. O apoio que terá não será muito tendo inclusivamente em Marzio Bruseghin o único corredor que o poderá ajudar nas etapas mais complicadas. Danilo Napolitano mostrou-se forte nas chegadas em pelotão compacto na Volta a Portugal, sinal de que a sua forma está a melhorar e portanto vitórias em etapas serão o seu objectivo. Ballan é um corredor que pode facilmente ganhar uma etapa numa fuga como já o provou no Tour deste ano numa etapa em que acabou em 3º, veremos se terá melhor sorte agora.

Liquigas - não há muito para dizer sobre esta equipa. Vem para a Vuelta totalmente focada nos sprints de Daniele Bennati e não trás mesmo ninguém capaz de discutir o que quer que seja na alta montanha. Pozzato deverá ter alguma liberdade no seio da equipa para procurar uma fuga que lhe proporcione uma vitória em etapa.

Quick Step - não há mesmo qualquer diferença entre a Liquigas e a Quick Step. O que a Liquigas fará para Bennati é o que a Quick Step vai fazer para Boonen e o papel que Pozzato vai ter na Liquigas será o papel que Bettini vai desempenhar na Quick Step. À primeira vista a única diferença poderia residir no facto da Quick Step ter Juan Manuel Garate mas, na minha óptica, não creio que o ciclista espanhol venha a ter um grande protagonismo. Prometeu muito há cerca de 4/5 anos mas depois acabou por não confirmar as expectativas depositadas nele.

Rabobank - Freire para os sprints, Gesink para a geral. O sprinter espanhol é um sério candidato à vitória de algumas etapas mas pode-se especular se ele vai terminar a Volta a Espanha ou não. O que eu penso é que se Freire tiver a camisola dos pontos à entrada para a 3ª semana não desistirá, caso contrário, os mundiais deverão falar mais alto. Noutra perspectiva temos Robert Gesink, este ciclista holandês já provou ter um enorme valor tanto na montanha como no contra relógio e terá a responsabilidade de liderar uma das equipas mais reputadas do pelotão. Tem qualidade para isso, não creio que tenha a experiência e o facto de enfrentar as subidas desapoiado pode pesar na sua classificação final. Um top 8 estará ao alcance deste ciclista mas acho difícil conseguir muito mais.

Silence Lotto - esta equipa resume-se a Yaroslav Popovych. Tal como Damiano Cunego foi um fiasco na Volta a França mas está agora aqui para se redimir dessa má prestação. Um top 10 creio que já deixaria contente tanto o ciclista ucraniano como o manager da equipa belga. Quanto ao resto da equipa poderá procurar uma vitória em etapa aproveitando as fugas, apesar de não ser nada fácil.

Milram - esta equipa também se resume a ajudar Erik Zabel a conseguir vitórias em etapas. O sprinter alemão acabou por conseguir salvar a participação da equipa no Tour com vários lugares de destaque em algumas etapas pelo que constitui a principal esperança para a Milram sair da Vuelta com uma ou mais vitórias no bolso. O resto da equipa terá como função ajudar Zabel a atingir os objectivos com Grivko a ser o que mais se destaca deste lote. É um ciclista completo que entrando em fugas não é fácil de bater.

Tinkoff - a equipa russa trás para esta Vuelta bastantes ciclistas de grande qualidade. Ignatiev é dos melhores contra relogistas aqui presentes e, se estiver em grande forma pode ser uma surpresa na geral. Evgeny Petrov deverá querer redimir-se da má Volta à Itália que fez, pelo que um top 10 não é nenhuma utopia para o russo, se se apresentar em boa forma. Kiryienka e Brutt são dois corredores do mais combativo que há como ficou provado com as suas duas vitória (uma para cada um) no Giro deste ano. Nicolay Trusov é um ciclista muito rápido com vários resultados de relevo não só na estrada como também em pista pelo que constitui uma icógnita saber o que poderá fazer.


Volta a Alemanha começou hoje.


Acostumada a ficar entre o Tour e a Vuelta, este ano devido aos Jogos Olímpicos a corrida alemã irá começar um dia antes da Vuelta a Espanha, hoje (29). Uma corrida que teve a primeira edição em 1911 mas ainda vai na 29ª edição, foi então que Jan Ulrich depois do seu triunfo no Tour de France veio dar uma nova visibilidade ao ciclismo na Alemanha, e relançou a Volta do seu país, desde 1999 que tem estado no activo ano após ano, e cada vez mais com mais relevo no panorama internacional.

O ano passado assistiram-se a duelos interessantes, choques de gerações entre os sprinters Gerald Ciolek e Erik Zabel, como também pela luta da classificação geral onde Jens Voigt levou a melhor sobre Levi Leipheimer (vencedor em 2005). O alemão tem a oportunidade de conseguir três vitórias consecutivas na sua corrida natal, no entanto ao contrário do ano passado, o percurso deste ano é mais duro, o que o prejudicará.

Amanhã (sábado) é uma etapa a não perder, a etapa rainha onde Voigt terá o teste mais difícil percorrendo os alpes austríacos, duas subidas de montanha de 1ª categoria acabando numa delas, e ainda na primeira metade da etapa uma de segunda. Para além deste, outros dias decisivos serão o contra-relógio de 34km e ainda a 5ª etapa de média montanha. Para quem não gosta de uma primeira semana para os sprinters como é o caso da Vuelta, tem aqui uma boa alternativa para encontrar emoção e combatividade, Jens Voigt estará presente e promete uma grande corrida apesar da pesada concorrência e de algum cansaço devido à ocupada época. No entanto a CSC vem prevenida caso algo não corra como esperado a Voigt, o medalha de prata Gustav Larsson bem como Nicki Sørensen poderão ser alternativas à classificação geral, bons lugares mas dificilmente a vitória.

Depois da 4ª vitória consecutiva no Critérium International, Jens Voigt prepara-se
para a 3ª consecutiva na Volta a Alemanha, será que consegue?

Fotos cedidas por: Dot-cycling.


Assim, o alemão assume-se como não sendo o favorito, de facto o percurso não lhe favorece muito ao contrário do austríaco Bernard Kohl que depois do 3º lugar na Volta à França pode conquistar aqui a vitória mais importante da carreira, caso contrário também já arranjou equipa mas só a anunciará depois desta corrida.

Linus Gerdeman e Thomas Lokvist irão liderar a Team Columbia mas quanto ao primeiro será ainda uma incógnita visto ter tido uma grave lesão esta época. Vladimir Karpets e David Lopez (3º em 2007) ambos da Caisse d’Epargne, Janez Brajkovic da Astana, Jurgen Van Den Broeck da Silence-Lotto e Christian Knees da Team Milram serão outros corredores a ter em vista.

Outra figura importante que inscreveu-se à última da hora é o russo Denis Menchov (Rabobank), sem dúvida um forte candidato que conta com Laurens Ten Dam como um braço direito ou mesmo uma alternativa.

Quantos aos sprinters em princípio terão quatro oportunidades, Gerald Ciolek ou Andre Greipel (Team Columbia) certamente vencerão uma etapa, Thor Hushovd também está de olho numa, assim como Robert Forster (Gerolsteiner) e Olaf Pollack (Team Volksbank), ou mesmo os australianos Robbie McEwen (Silence-Lotto) e Graeme Brown (Rabobank).

Penso que será uma corrida onde se decidirá no contra-relógio e que irá provar quem está em melhor forma nesta altura de transição, todavia será muito difícil alguém conseguir vencer o super motivadíssimo Jens Voigt.
Caisse d’Epargne, Gerolsteiner e Rabobank trazem equipas fortes mas até agora, esta edição está marcada pela ausência dos conterrâneos Stefan Schumacher, Andreas Kloden e Erik Zabel que trocaram-na pela Vuelta.

No prólogo de hoje o vencedor foi Brett Lancaster (Team Milram), em 2º Gustav Larsson (Team CSC) e Andre Greipel (Team Columbia) em 3º lugar.


Startlist.

Declarações de Jens Voigt sobre a corrida.

Análises sobre a Volta a Alemanha: Equipas, Candidatos.

Site oficial.

Podem ver em directo na internet no cyclingfans.com, tem lá uns links.


quinta-feira, agosto 28

Luta pelos Pontos na Volta a Espanha


Talvez seja limitada a lista de reais candidatos à vitória final mas em relação aos sprinters não se pode dizer o mesmo. Muitos vitoriosos nesta época estarão presentes, uns a preparar o Campeonato do Mundo que assim deverão abandonar a Vuelta a meio, no entanto, pelo menos na primeira semana será um grande espectáculo nestas etapas menos agitadas. Fica aqui uma lista de vários sprinters que poderão ambicionar pela classificação dos pontos ou simplesmente uma vitória de etapa.


Será um duelo interessante entre dois sprinters de topo, Daniele Benatti e Tom Boonen são sem dúvida os cabeças de cartaz nesta especialidade. A ausência importante é mesmo a Team Columbia, uma equipa com muitos sprinters e actualmente com muitas vitórias de etapas.

Estes dois mencionados anteriormente obtiveram vitórias no recente Eneco Tour, tiveram também uma época similar mas por diferentes motivos.

Tom Boonen esteve em grande forma ao vencer mais uma vez o Paris-Roubaix mas depois não compareceu ao Tour de France devido ao teste positivo por cocaína. Conta com uma boa equipa para o guiar e defender a sua camisola, caso a envergue. Wouter Weylandt, Paolo Bettini e Kevin Van Impe deverão ser os lançadores de serviço.

Depois do Giro, será que Daniele Benatti conseguirá o mesmo feito na Vuelta?


Quanto à estrela italiana esteve muito bem no Giro mas devido a lesão não compareceu no Tour de France, apresenta-se aqui para tentar renovar o título do ano passado onde acabou como líder desta classficação. Os seus compatriotas Pozzato e Corioni serão uma boa ajuda.

Para além destes, Oscar Freire vem em preparação para o Campeonato do Mundo sendo assim provável que desista a meio. O ano passado renunciou quando praticamente tinha esta classificação vencida, este ano talvez faça o mesmo.

Juan Jose Haedo (Team CSC), Erik Zabel (Team Milram) e Danilo Napolitano (Lampre) são sprinters que poderão ambicionar por uma etapa.

No caso de Heinrich Haussler (Gerolsteiner), Leonardo Duque (Cofidis), Jeremy Hunt (Credit Agricóle), Alexandre Usov (AG2r) e Koldo Fernandez (Euskaltel-Euskadi) estarão no top10 destas etapas por diversas vezes, mas vencê-las, será outra história.

Na equipa Astana os velocistas serão Thomas Vaiktus e Assan Bazayev, curiosamente dois bons corredores que dão-se bem na média montanha. Para além de prestarem boa ajuda à sua equipa, poderão surprender e vencer uma etapa desse perfil.

Como podem ver as condições estão reunidas para que os sprints sejam emocionantes. Ao contrário do Tour onde houve alguma liberdade para as fugas, nesta Vuelta não acredito que aconteça o mesmo, QuickStep, Liquigas, Team Milram e talvez a Rabobank, andarão à caça dos fugitivos.


Eneco Tour


Ivan Gutiérrez da Caisse d'Epargne acabou ontem em 2º no contra-relógio no entanto venceu a classificação geral, renovou assim o título conquistado o ano passado. O mais rápido do último contra-relógio acabou por ser o lituano Raivis Belohvosciks da Scott-American Beef mas devido a atrasos em outras etapas não era ameaça para o espanhol. Sébastian Rosseler da Quick Step e Michael Rogers da Team Columbia acabaram por ser respectivamente 2º e 3º da classificação geral.



Fotos cedidas por: Dot-cycling.

quarta-feira, agosto 27

Antevisão da Volta a Espanha

Já não falta muito para a Volta a Espanha pelo que acho que é pertinente começar a analisar o que poderá ser a prova espanhola. Este é o meu penúltimo texto antes da Volta a Espanha pelo que vou dividir a análise das equipas participantes em dois, terminando-a dia 29.

CSC Saxo Bank - das equipas mais fortes do pelotão internacional apresenta sempre corredores de grande qualidade em qualquer prova que participa. Esta Volta a Espanha não é excepção. Com Carlos Sastre e Iñigo Cuesta farão com certeza boas exibições na montanha, mas o desgaste proveniente da Volta a França pode colocá-los em desvantagem perante alguns adversários. Juan Haedo terá a sua oportunidade de brilhar nos sprints de uma volta de 3 semanas podendo vencer uma etapa. Karsten Kroon e Alexander Kolobnev serão homens para fugas que tentarão aproveitar aquelas etapas de média montanha para escapar.

AG2R La Mondiale - é uma equipa francesa típica. Não trás para a Volta a França grandes talentos deixando a responsabilidade de fazer qualquer coisa na alta montanha em John Gadret. Arrieta e Nocentini poderão desempenhar um papel semelhante ao de Kroon e Kolobnev imiscuindo-se em fugas no intuito de vencer etapas. Usov será o sprinter de serviço desta equipa mas não creio que vencer uma etapa esteja ao alcance deste bielorrusso.

Andalucia Cajasur - admito que não conheço muito desta equipa mas depreendo que funcione um pouco como as equipas francesas em França: será uma formação muito aguerrida, com muita gente em fugas e talvez com uma surpresa na alta montanha. A saída de Luis Perez na época passada foi um revés para esta equipa mas acredito que a sua agressividade (no bom sentido) se manteve inalterada. Uma vitória em etapa já seria bom para esta equipa mas o que ela poderá fazer ainda é uma incógnita. Poderá fazer uma Volta a Espanha excelente, plena de surpresas positivas ou uma Volta a Espanha má, sem qualquer resultado.

Astana - aqui temos a super equipa desta Vuelta. Com Kloden, Contador e Leipheimer a Astana tem todas as condições para vencer, sendo mesmo, na minha perspectiva, a mais favorita de todas. A equipa encontra-se bem apoiada com Paulinho, Rubiera e Noval pelo que nunca faltará suporte aos líderes. Nos sprints esta formação conta com Vaitkus, mas este lituano terá dificuldades em impor-se nas chegadas com os grandes especialistas. É uma equipa talhada para a alta montanha.

Bouygues Telecom - não sei bem o que está aqui a fazer para além de gastar gasolina. Só vejo mesmo três ciclistas capazes de fazer alguma coisa: Clerc, Clement e Florencio. O primeiro poderá obter alguns top 10 em chegadas ao sprint e, quem sabe uma vitória, apesar de ser complicado. O segundo é muito forte no esforço solitário pelo que nunca é de descartar para os cronos. Por fim, Florencio é candidato a vencer numa fuga numa daquelas etapas de transição.

Caisse D'Epargne - tal como a Astana é uma equipa montada para a alta montanha em torno única e exclusivamente de Valverde. Tem ciclistas capazes de vencer etapas de alta montanha se integrados em fugas e tem também Arroyo e Rodriguez que poderão ser dois candidatos à camisola da montanha se tiverem carta verde para perseguir esse objectivo. Tal como no caso da CSC o facto de Valverde já ter estado no Tour coloca-o em desvantagem perante a equipa Astana.

Cofidis - apesar de não trazer ninguém para a geral traz ciclistas muito fortes para vencer em fugas e não me espantava se esta equipa obtivesse uma ou mais vitórias em etapa. Nuyens, Hoj e Chavanel são fortes em grupos reduzidos enquanto que Duque é sempre uma alternativa válida para as chegdas em pelotão compacto.

Credit Agricole - tal como a Bouygues não se apresenta aqui na sua máxima força. Halgand é sempre uma alternativa para vitórias em etapa, em escapadas enquanto que Rolland poderá confirmar ou não o valor que mostrou nesta época. Estou muito interessado para ver o que fará este francês agora que terá o seu espaço dentro da equipa até porque não vejo mais ninguém com aspirações a o que quer que seja dentro desta equipa francesa.

Euskaltel Euskadi - sempre muito forte esta equipa basca tem Igor Antón como grande aposta. Não participou na Volta a França portanto encontra-se em igualdade de circunstancias com a Astana e a Euskadi garantirá que apoio não lhe irá faltar. Egoi Martinez poderá ser um candidato à vitória da classificação da montanha enquanto que Koldo Fernandez procurará os sprints como forma de se destacar. Ainda assim, uma vitória em etapa será complicado para o sprinter basco.

Française Des Jeux - depois da razoável Volta a França realizada Sandy Casar poderá ter a sua moral em alta para se candidatar ao top 10 de uma prova na qual a concorrência é menor. Ainda assim, deverá estar um pouco desapoiado já que a equipa francesa não deverá conseguir oferecer-lhe grande ajuda na alta montanha. Philippe Gilbert é um ciclista que se adapta bem a qualquer tipo de terreno pelo que é sempre um candidato a vencer etapas. vejamos se vence aqui a etapa que não conseguiu vencer no Tour.

terça-feira, agosto 26

Eneco Tour e GP Ouest France - Plouay.

Um breve resumo de duas corridas que têm ocorrido na Europa.

Na segunda feira decorreu o GP Ouest France - Plouay, uma corrida francesa existente já há alguns anos onde nos últimos o percurso acidentado tem elevado o seu estatuto entre as clássicas. Este ano foi mais um francês vitorioso, Thomas Voeckler passou o testemunho a Pierrick Fédrigo seu colega de equipa que assim deu à Bouygues Telecom a segunda vitória consecutiva.

Um trio conseguiu-se escapar de um grupo de 17 fugitivos a cerca de 10km da meta, e assim sobreviver ao pelotão que chegou a poucos segundos do trio constituido pelo vencedor, Alessandro Ballan da Lampre e em 3º lugar David Lopez Garcia da Caisse d'Epargne. Ao sprint com pelotão compacto chegou Allan Davis em 4º lugar e em 5º Juan Joaquim Rojas Gil. Destaque ainda para o jovem Romain Feillu que promete ser um grande corredor, esta época tem andando em tudo o que é fugas, Tour de France, Volta a Portugal e mais uma vez nesta clássica tentou alguns ataques no final mas sem sucesso, sprintou no final e conseguiu o 8º lugar na corrida.

Os belgas Philipe Gilbert, Tom Boonen e o jovem Jürgen Roelandts aproveitam para correr no seu país.
Fotos cedidas por: cyclingview.be


No Eneco Tour como tinha previsto os sprinters têm amealhado vitórias, Boonen já com duas, Benatti outra, Greipel na 2ª etapa, ontem o surpreendente Carlo Westphal da Gerolsteiner e hoje o norueguês Edvald Boasson Hagen da Team Columbia os vencedores. Com a camisola branca, o líder da Classificação Individual parte amanhã o alemão Andre Greipel, no entanto irá perder com certeza pois é um contra-relógio de 18,8km.
Para consultar os favoritos para amanhã ver o post anterior que fiz sobre esta corrida.

Resultados no site oficial.


Jogo Sempre Na Roda - Época.

Peço desculpa pelo atraso, mas vale mais tarde do que nunca...
Resultados
Tour de France, Classica San Sebastian, Jogos Olímpicos e GP Ouest France - Plouay.

Podem sacar o ficheiro do excel com as pontuações em detalhe, clicando aqui.


Equipas:

Pão de Queijo----------------------(Gabriel Vargas)------------ 1364 pontos
Centro de Estudos de Fátima-------(David Rosa)----------------1294 pontos
Na_Cola----------------------------(Leónidas)-----------------1244pontos
Papa-Léguas-----------------------(Rui Ferreira)--------------1207 pontos
Sobre_Rodas-----------------------(Mind_Peter)--------------1036 pontos
FC Porto---------------------------(Paulo Martins)-------------991 pontos
Cara no Vento----------------------(Marcelo Guazzelli)---------958 pontos
My team--------------------------(Volrath)-------------------877 pontos
Led_Team-------------------------(Rainden)------------------825 pontos
Los Cambitos----------------------(Fernando Saracura)-------629pontos
Bettof team------------------------(Bettof)--------------------589 pontos


Corredores:

Pierrick Fédrigo (x2): 276 pontos
Cadel Evans: 265 pontos
Alberto Contador: 257 pontos
Alejandro Valverde: 247 pontos
Gomez Marchante (x2): 234 pontos
Alexandr Kolobnev (x2): 226 pontos
Denis Menchov (x2): 216 pontos
Vicenzo Nibali: 204 pontos
Damiano Cunego: 200 pontos

Volta à Espanha 2008 - Etapas

Acabando a nossa Volta, começa dentro de dias logo aqui ao lado a 62ª edição da Vuelta a Espanha. Há algum tempo discussões sobre o calendário desta corrida, pois a verdade é que cada vez mais tem perdido alguma espectacularidade e notoriedade, no entanto Victor Cordero o seu director, já prometeu uma nova Vuelta, mais entusiasmante e a julgar pelo percurso tem tudo para o ser.

Se o ano passado teve poucos palcos emocionantes, neste ano não irá faltar com certeza, aliás, será difícil escolher qual será o principal. Para além das três semanas habituais, esta Vuelta irá ser destinada aos trepadores, bons contra-relogistas claro, mas quem tiver dificuldades na montanha, tem os dias contados pois só mesmo o contra-relógio de 42km na primeira semana poderá salvá-los. Vinte e uma etapas, dois dias de descanso, 3133,8km no total, 7 etapas de montanha e três de contra-relógio incluindo um prólogo por equipas e um crono de montanha, a penúltima etapa.

A corrida começa com uma primeira semana calma, só mesmo o prólogo e o tal longo contra-relógio afastará os sprinters das vitórias. Sete dias passados e chegarão aos Pirinéus, três etapas consecutivas para apreciarem a bela paisagem destas cadeias montanhosas, um belo teste aos candidatos à vitória final.

06/09 Sábado Barbastro - Andorra (Naturlandia - La Rabassa) 223,2km

8ª 07/09 Domingo Andorra (Escaldes - Engordany) - Salardú / Naut Aran / Pla de Beret 151,0km

9ª 08/09 Segunda-feira Vielha / Mijaran - Sabiñánigo 200,8km


Três dias de corrida e um de descanso, e alcançarão a Cordilheira Cantábrica, começando logo pelo Angliru. A 13ª etapa é ao nível da 15ª etapa do Giro (Marmolada) deste ano, uma daquelas onde só os trepadores estarão na frente e os restantes lutarão por sobreviverem. As diferenças de tempo serão enormes neste dia.

13ª 13/09 Domingo San Vicente de la B. - Alto de L’Angliru 209,5 km

Cinco contagens de montanha: a primeira de 3ª categoria, três de 1ª categoria e a acabar no Alto de L’Angliru (altimetria), uma subida de 12,5km mas que a três quilómetros do fim conta com rampas superiores a 20% de inclinação!!

14ª 14/09 Domingo Oviedo - E. E. Fuentes de Invierno 158,4 km

15ª 15/09 Segunda-feira Cudillero - Ponferrada 202,0km


Já mesmo nos últimos dias a tal crono-escalada, mas antes disso uma etapa de montanha com duas contagens de 1ª categoria a meio da etapa. Penso que o vencedor será decidio na passagem pelos Montes Cantábricos pois nestas duas as diferenças serão mínimas

19ª 19/09 Sexta-feira Las Rozas - Segovia 145,5km

20ª 20/09 Sábado La Granja de S. I. - Alto de Navacerrada (I.T.T.) 17,1km


Tem tudo para ser uma emocionante Vuelta, talvez falte duas equipas que têm estado em destaque esta época, Team Garmin e Team Columbia e pena também que Cadel Evans se tenha lesionado. Gostaria de ver o Benfica na Vuelta, mais uns portugueses a juntar-se ao solitário Sérgio Paulinho, seria excelente.

Site oficial.
Site com as altimetrias de muitas subidas desta corrida.


segunda-feira, agosto 25

Volta a Portugal das Equipas Secundárias

Já que já se fizeram alguns tópicos acerca das equipas principais desta Volta a Portugal acho que também é importante avaliar como correu esta competição para as equipa de menor nomeada no pelotão nacional.

Barbot Siper - vou começar pela equipa que maior surpresa constitui nesta Volta a Portugal. É verdade, poucos esperavam que a Barbot conseguisse mais que um top 10 e uma vitória em etapa mas o certo é que não conseguindo esse top 10 (ficou lá perto: David Bernabéu 12º) arrecadou 2 vitórias em etapa, 4 segundos lugares e a camisola branca da regularidade. É realmente uma Volta para recordar para esta equipa Barbot, que superou todas as expectativas até as mais optimistas. A grande desilusão foi realmente Carlos Pinho que depois de um excelente, salvo erro, 8º lugar na época transacta não conseguiu nem pouco mais ou menos ser de qualquer utilidade à sua equipa.

CC Loulé - fez a Volta possível. Era extremamente complicado ganhar uma etapa (na realidade só 5 equipas o conseguiram) pelo que Santiago Perez era a grande esperança da equipa. Este ciclista espanhol acabou por se exibir muito abaixo do que consegue mas mesmo assim ainda conseguiu um relevante 11º lugar que, aliado às constantes fugas protagonizadas pela equipa acabam um pouco por salvar esta Volta e fazer com que ela tenha sido aceitável para a equipa algarvia.

Madeinox Boavista - acabou por fazer uma Volta semelhante à do CC Loulé mas com uma diferença importante que a torna melhor: a camisola laranja. Esta camisola veio autenticamente salvar a Volta da equipa axadrezada e torná-la a segunda melhor equipa portuguesa das que estou a analisar. No que ao seu líder diz respeito, Tiago Machado, acaba por realizar uma Volta a Portugal positiva mas terá de começar a pensar em objectivos mais elevados. Se neste ano ainda foi aceitável o seu 9º lugar muito porque lhe permitiu conquistar a classificação da juventude, no próximo ano a fasquia terá de estar mais elevada já que já nem a camisola laranja o poderá salvar (não contará para a classificação).

Fercase Rota dos Móveis - se considerarmos o investimento e as expectativas que esta equipa trazia para a Volta a Portugal trata-se da grande desilusão, não só das equipas portuguesas mas também de toda a Volta. Esperava-se muito mais de André Cardoso (vencedor da classificação da montanha na época transacta) e de Eladio Jimenez (2º classificado no ano passado). Estes corredores fracassaram redondamente e não tivesse sido o 6º lugar de Francisco Mancebo, esta Volta seria um descalabre completo para esta equipa. Sem qualquer vitória de etapa (podia esperar-se uma vitória numa etapa de montanha para esta equipa) e sem grande protagonismo nas fugas, Mancebo foi mesmo o único que nos fez notar a presença da Fercase na Volta a Portugal.


Balanço da Volta a Portugal


Uma Volta interessante, principalmente do ponto de vista táctico com a Liberty Seguros a dominar já que foi sem dúvida a equipa mais forte e também com o líder mais forte, pois penso que entre Guerra e Blanco as diferenças eram mínimas, isso reflecte a classificação geral. A esta hora o Sr. Américo Silva deve estar a reflectir sobre o fracasso da sua equipa, pois apesar das três vitórias de etapa, com uma equipa destas deveria ter conseguido vencer a Volta, deverá sentir-se muito frustrado. Então o que falhou na Liberty?

A Torre. Foi este dia e a abordagem que a Liberty fez, que deu a vitória a Blanco. Américo Silva foi para esta etapa mais preocupado com o Benfica pois Azevedo, Candido e Plaza supostamente eram as principais ameaças e pelo sim pelo não, enviou Rui Sousa para o que der e vier, como forma de garantia. No entanto não esperava uma grande corrida por parte de David Blanco que ganhou terreno a Guerra por simples distração, já que o segundo marcava Plaza nessa altura, e assim criou-se uma espada de dois gumes para a Liberty; por um lado Guerra atrás de Blanco, e Rui Sousa com uma vantagem mínima. Então o que restava à Liberty fazer? Muito pouca coisa, seria muito difícil esta equipa conseguir vencer a Volta ainda mais porque o Tavira esteve muito bem, com Nelson Vitorino, Garrido, David Livramento e Ricardo Mestre à altura dos acontecimentos. No entanto um dos erros fatais foi o número de tentativas por parte da Liberty, num dia manda Ribeiro que ganhou a etapa muito bem, no outro mais dois ou três corredores seus (Nuno Ribeiro, Vitor Rodrigues...), e no dia a seguir na Srª da Graça, nova dose outra vez!!!
Ou os seus corredores seriam incansáveis ou não sei, o que havia a fazer era esperar pela última etapa e lançar todos os seus dados, como se viu o Guerra teria que deixar Blanco não na última subida mas antes, e aí os seus colegas teriam que estar o mais fresco possíveis.

Olho então para a 10ª etapa do Tour de France deste ano, onde a CSC degolou todas as hipóteses de Valverde, Cunego e mais alguns, vencerem o Tour de France. Nem sempre poderá correr bem, mas no dia 14 de Julho (dia da Bastilha) a CSC foi genial, começou as suas movimentações na penúltima subida do dia, e entretanto já tinha lançado Cancellara no princípio da etapa. Até à subida final entre os dois picos da etapa, Voigt e Cancellara rebocaram os seus três principais líderes e conseguiram manter uma vantagem superior a um minuto e meio à Caisse d’Epargne. Transpondo para a Volta, é obvio que a Liberty teria que fazer alianças para obter sucesso, frente ao Benfica e principalmente o Tavira a liderar o pelotão, ficou demonstrado que poucas hipóteses teriam, talvez Madeinox-Boavista com o Tiago Machado a ser beneficiado, e mesmo a Contemplus Murcia com Palomares a ser levado, ficariam as condições para que estas tivessem objectivos comuns. Só assim os homens da Liberty poderiam sair a ganhar, claro que sacrificando alguns, como acabou por acontecer mesmo sem atingirem o principal objectivo.


O principal duelo que emocionou esta corrida por vários dias.


É sem dúvida mais fácil analisar e reportar os erros depois de cometidos, do que prevê-los e evitá-los, no entanto Américo Silva falhou redondamente nas apostas que fez. Uma equipa e uma oportunidade destas não terá novamente, eu apostei em Hector Guerra para a vitória, e ele poderia muito bem alcançá-la.

Muitos parabéns ao Tiago Machado, não esperava que recuperasse a camisola laranja e conseguiu, entrou também no top 10 como era o seu objectivo.
Quanto ao David Blanco, muitos poucos teriam esperança que ganhasse (1 votação no blog), mas foi um justo e merecido vencedor, assim como Hector Guerra que embelezou a vitória do seu compatriota.


Foto cedida por: Ciclismo Digital

sábado, agosto 23

Balanço da 9ª etapa

Ora depois da tão aguardada 9ª etapa da Volta a Portugal está na hora de fazermos um balanço. Foi uma prova emotiva de principio a fim (para quem tem RTPN) com muitos ataques, espectáculo e emoção. Acabou por justificar a distinção de etapa rainha da prova. Sem mais, vamos então analisar esta corrida focando-nos no elemento essencial a uma vitória de qualquer ciclista: a equipa.

Palmeiras Resort Tavira: foi a equipa da etapa sem qualquer dúvida. Com uma inteligência muito grande e uma frieza incrível esta equipa foi sempre capaz de controlar a etapa da forma que mais lhe conviu. os seus ciclistas mostraram-se muitos fortes e souberam gerir muito bem as suas forças até à subida final e só deixaram o seu líder, David Blanco sozinho quando já faltavam poucos quilómetros para a linha de meta. Se há vitórias nas quais a equipa tem vital influência esta é uma delas com um trabalho que roçou a perfeição. Por fim, não nos podemos esquecer de David Blanco que com o magnífico trabalho já descrito por parte da sua equipa aliado às suas grandes qualidades não poderia não ser considerado o principal favorito à vitória final da Volta a Portugal.

Liberty Seguros: na minha opinião esta equipa jogou muito mal as cartas que possuía. Rui Sousa era primeiro, Guerra terceiro, Gil quarto e Nuno Ribeiro sexto. Nuno Ribeiro foi muito mal usado tanto ontem como na 7ª etapa; a sua sexta posição era uma clara mais valia táctica para a Liberty Seguros que nem a sua vitória em etapa justificava sacrificar. Todo o esforço despendido por este ciclista em ataque com pouca utilidade veio a pagar-se caro com a sua total incapacidade de ajudar quando foi necessário. Koldo Gil lançado numa fuga com o então camisola amarela Rui Sousa foi das coisas mais surpreendentes e inexplicáveis que já vi. Será que alguém dentro da Liberty pensou que as outras equipas iriam deixar o 1º e o 4º ganhar uma vantagem superior a 2 minutos?? Ao que parece sim, e erradamente. Este acto queimou imediatamente Gil e Sousa tanto para a geral como para a etapa. Tudo isto fez com que Guerra ficasse sozinho à mercê do trabalho do Tavira, sem ter colegas que pudessem "destroçar" a equipa de Blanco de forma a deixá-lo sozinho. Basicamente o resultado de tudo isto foi visto na chegada com um Rui Sousa e um Koldo Gil em queda total, um Nuno Ribeiro que nem se viu e um Guerra impotente perante a facilidade de Blanco durante a etapa.

Benfica: sem fazer praticamente nada a equipa do Benfica foi uma das grandes beneficiadas do dia. Não precisou nem de trabalhar nem de atacar para vêr Ruben Plaza aproximar-se muito da terceira posição que com mais ou menos facilidade creio que a ela chegará amanhã. Cândido Barbosa subiu igualmente um lugar na classificação geral individual sem qualquer ataque. Basicamente a Liberty foi a grande responsável pela boa etapa que acabou por ser esta 9ª tirada para o Benfica.

sexta-feira, agosto 22

Percurso da nona etapa (subida ao Alto da Srª da Graça), Sábado

Hoje é considerada uma etapa plana no entanto as montanhas a meio da corrida já provocaram algumas movimentações, esperava que os sprinters tivessem uma oportunidade aqui, no entanto parece que a fuga de Nuno Ribeiro está a causar um pelotão algo selectivo. Mais uma para o Candido?

Este fim de semana será decisivo, a começar pela etapa de montanha e a finalizar com um contra-relógio, portanto ainda resta algumas contas por fazer. Guerra e Blanco parecem os melhores colocados para a vitória final mas tanto Rui Sousa como Ruben Plaza ou mesmo uma surpresa poderá acontecer.

Vou agora expôr o percurso da nona etapa, considerada a etapa rainha devido à sua dureza mas na minha opinião uma etapa que acabe na Torre, será sempre a rainha.
Em resumo a etapa de Sábado começa em Fafe e acaba no alto da Nª Srª da Graça. São 146,2km que a tornam na mais curta etapa da Volta a Portugal (sem contar com os cronos), todavia inclui cinco contagens de montanha e três sprints intermédios.

Logo no início têm a primeira das cinco categorias de montanha até Lameira, uma subida com cerca de 9kms que deve abrir os ataques no pelotão. Depois de 20kms passando como podem ver por Ribas- Ribeira-Molares-Britelo, o pelotão chega a Celorico de Basto onde se dá o primeiro sprint intermédio. Na cidade mencionada os corredores dirigem-se para o Alto do Viso, 1ª categoria com quase 8kms, conta também com rampas de 14% logo depois de a meio ter uma ligeira descida.
Voltam novamente a Celorico de Basto mas desta vez viram em direcção a Mondim de Bastos. Entre essas duas localidades encontra-se o segundo sprint intermédio em Fermil. Chegam depois a Mondim de Bastos onde será a zona de abastecimento e onde os corredores mais tarde irão passar pela segunda vez.


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Esta zona precede o começo das grandes dificuldades neste dia, depois de 84km começa a subida ao Alto do Velão, 13 longo quilómetros sempre a subir com média de 5,8%.

Segue-se uma descida até Ermelo e novamente uma subida de 2ª categoria até Cavernelhe, cerca de 5km. Os primeiros ataques nomeadamente da Liberty Seguros já devem ter surgido e o pelotão dirige-se agora para Mondim de Basto novamente.


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Esta cidade precede a subida final, a ascenção até ao Alto da Nossa Srª da Graça, uma subida já muito conhecida pelos corredores com cerca de 8kms e rampas de 12%. A Liberty irá dar tudo por tudo para ganhar terreno a David Blanco.


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Ficam aqui duas fotos mais sobre a etapa de sábado: visão da etapa geral, visão do circuito e Mondim de Bastos.

Estou a ver a RTP1 e mais uma vez Nuno Ribeiro está ao ataque, excelente desempenho do português!! É talvez o mais activo desta Volta a Portugal mesmo depois do desgaste dos Jogos Olímpicos. Esta época já vinha a dar boas indicações depois de uns anos mais apagados, e está a confirmar aqui a seu grande valor. O Benfica mais uma vez na expectativa, vamos ver como se porta amanhã.

quinta-feira, agosto 21

Classficação da montanha

No texto passado escrevi acerca do que poderá ser o futuro da camisola branca na Volta a Portugal pelo que agora à entrada das montanhas nesta prova portuguesa parece-me também adequado falar acerca da camisola verde actualmente na posse de Rui Sousa (Pedro Lopes enverga-a por empréstimo).

1º 18 SOUSA, Rui POR LIBERTY SEGUROS 48 P. - é o líder desta classificação fruto da excelente 3ª etapa que realizou mas não sei até que ponto poderá ter liberdade de a defender nas próximas etapas. Sendo o provável camisola amarela na etapa que vai decidir esta classificação (9ª etapa) torna-se difícil conseguir manter esta camisola. Nesta 9ª etapa existem 65 pontos em disputa para esta classificação, 50 sem contar com a ascensão final. Ora estes 50 pontos superam os 48 de Rui Sousa mas não por uma margem significativa. Isto leva-me a pensar que quem vencerá esta classificação será um ciclista mal colocado na geral mas que já tenha amealhado alguns pontos na classificação da montanha.

2º 9 LOPES, Pedro POR BENFICA 26 P. - tem vestido de verde nestas últimas etapas por empréstimo de Rui Sousa mas não penso que conseguirá lançar uma candidatura séria à vitória na camisola verde. É um sprinter e um trabalhador de equipa muito bom mas a montanha não é com ele e não tivesse sido a tal fuga na 3ª etapa não estaria com estes 26 pontos. Dificilmente conquistará esta classificação e creio que não lhe restará muito tempo nesta posição.

3º 31 BLANCO, David ESP PALMEIRAS RESORT-TAV 20 P. e
4º 11 GUERRA, Hector ESP LIBERTY SEGUROS 17 P. - optei por analisar estes dois ciclistas ao mesmo tempo já que a sua situação é muito semelhante. São ambos dois candidatos à classificação geral mas apenas estão bem colocados nesta classificação precisamente por terem que estar bem nas etapas de montanha. Não penso que estes dois ciclistas queiram/consigam ganhar esta classificação pois, mesmo que hipoteticamente fosse um objectivo seu, nunca teriam a liberdade para a procurarem.

5º 39 LIVRAMENTO, David POR PALMEIRAS RESORT-TAV 17 P. e 9º 77 LOOSLI, David SUI LAMPRE 11 P. por fim escolhi estes dois ciclistas porque se inserem no perfil que tracei acima. Estão ambos mal colocados, já têm pontos na montanha e já mostraram que apesar de não ser trepadores especializados, conseguem facilmente passar à frente das montanhas em fugas. Talvez Eladio Jimenez também se possa incluir neste grupo porque, fruto do seu fracasso na Torre pode ter passado a ser o seu principal objectivo conquistar esta classificação como uma forma de salvar esta Volta a Portugal. Ao contrário dos dois ciclistas acima mencionados Jimenez não tem pontos na montanha mas também tem uma qualidade superior que Loosli e Livramento, quando o terreno começar a subir.

quarta-feira, agosto 20

Ivan Gutierrez busca a segunda vitória consecutiva no Eneco Tour.

Começa hoje o Eneco Tour, uma corrida recente que percorre os países da Bégica e Holanda desde 2005, logo esta será apenas a 4ª edição. Todavia é uma corrida pertencente ao calendário Pro Tour e como tal já tem algum estatuto reflectindo-o nos corredores que irão estar presentes.

As 18 equipas do Pro Tour mais as duas Continentais convidadas, a Cycle-Collstrop e a Skil-Shimano têm pela frente oito etapas sendo duas de contra-relógio. Ao contrário do ano passado as subidas da Liege-Bastogne-Liege não se incluem na rota, no entanto algumas da Amstel Gold Race e do Tour de Flandres continuam, apesar de ficarem longe das metas. Assim sendo as diferenças irão ser feitas nos contra-relógios já que se o pelotão não cometer erros, as etapas deverão acabar numa rápida discussão entre os melhores sprinters mundiais. Neste lote incluem-se Tom Boonen, Andre Greipel, Jay Jay Haedo, Daniele Bennati, Robert Forster e um deles irá arrecadar o título que Mark Cavendish venceu o ano passado, a classificação por pontos. Luciano Pagliarini estará novamente presente e tentará vencer uma etapa tal como fez brilhantemente no ano passado.


Tom Boonen é o cabeça de cartaz de uma elite de sprinters presentes nesta corrida.
Fotos cedidas por: cyclingview.be


Quanto à classificação geral será à semelhança dos outros anos onde os bons contra-relogistas partem como principais candidatos à vitória. O vencedor de 2007 Ivan Gutierrez (Caisse d’Epargne), Stijn Devolder motivado pelo recente estatuto de campeão de contra-relógio belga, Lars Ytting Bak da CSC, Joost Posthuma da Rabobamk e Michael Rogers da Team Columbia estarão entre os primeiros certamente.

Contudo se há corrida onde uma fuga notável poderá decidir a vitória, será esta edição do Eneco Tour. Para isso podemos contar com um destes corredores: Samuel Dumoulin, Yuriy Krivtsov, Simon Gerrans, Inigo Landaluze, Phillippe Gilbert e Luis León Sánchez Gil irão com certeza animar a corrida devido à sua mentalidade aguerrida.


Site oficial. Um vídeo com o resumo desta corrida em 2007. ( a partir dos 9min)

No cyclingfans.com deverá aparecer uns links com live streams para esta corrida.


A conversa de café da etapa de ontem da Volta a Portugal ficou marcada pelos comentários de Candido Barbosa no final da prova. Ao corredor bastava ter dito que tinha ficado bloqueado que todos percebiam pois é o pão nosso de cada dia de muitos sprinters. No entanto começou a enrolar e a tentar explicar o que se tinha passado, acabou por demonstrar a falta de confiança que tem actualmente com este infeliz desabafo.


Quanto aos Jogos Olímpicos estão quase a acabar, isto no que trata de Ciclismo de Pista claro, penso que o BMX e o BTT começaram à poucos dias. Ontem vi a tal corrida de Madison, uma verdadeira loucura, no entanto a dupla inglesa e favorita não conseguiu a medalha de ouro, nem pouco mais ou menos. No final o cansaço de Cavendish era notório pedindo muitas vezes a Wiggins para trocar. A dupla vencedora foi a da Argentina, uma grande surpresa, um deles até tem mais de 40 anos. A dupla conseguiu a vantagem de uma volta ainda no início da corrida e depois aguentou-se bem no final vencendo a Espanha por apenas 1 ponto. Wiggins fica então com apenas duas medalhas de ouro, não conseguindo o seu objectivo que era as três. Para compensar, também ontem Chris Hoy venceu o Sprint Colectivo, obtendo assim a sua terceira medalha de ouro nos JO, comfirma assim o domínio da Grã-Bretanha.

terça-feira, agosto 19

Classificação por pontos

Hoje vou escrever sobre a classificação por pontos da Volta a Portugal focando maioritariamente nos candidatos a a arrecadarem.

1º 44 PACHECO, Francisco ESP BARBOT-SIPER 65 P. - é o primeiro nesta classificação e tem-se mostrado um sprinter muito regular. Com dois segundos lugares e uma vitória em etapa perfila-se como o principal candidato a vencer esta classificação. O facto de competir com as cores de uma equipa portuguesa reforça esta ideia porque seria uma excelente vitória para uma equipa portuguesa de escalão médio. Este ciclista vai contar com todo o apoio possível da equipa o que aliado à sua boa qualidade lhe deverá permitir vencer a camisola branca.

2º 74 NAPOLITANO, Danilo ITA LAMPRE 58 P. - sprinter italiano cotado internacionalmente já com vitórias extremamente importantes na sua carreira. Apesar desta descrição não sei se Napolitano estará aqui para terminar a Volta o que me faz estar relutante em apontá-lo como um forte candidato a vencer esta camisola. Se as minhas previsões não se confirmarem e se ele estiver aqui realmente para finalizar a prova iremos ter uma grande luta entre este ciclista da Lampre e Pacheco.

3º 12 CARDOSO, Manuel POR LIBERTY SEGUROS 42 P. - é um sprinter português, ainda jovem e com um bom futuro à sua frente mas no presente ainda não pode almejar a grandes feitos. Está a provar ser um ciclista muito regular e com muito futuro mas ainda lhe falta a experiência de correr ao mais alto nível, nomeadamente a experiência de correr em Voltas a Portugal. Daqui a 2/3 anos já será um corredor mais maduro que irá certamente começar a vencer regularmente algumas etapas. Actualmente pode aspirar a uma vitória esporádica mas não de forma regular.

4º 113 FARRAR, Tyler USA GARMIN-CHIPOTLE 37 P. - sprinter norte americano que já conta com algumas vitórias na carreira mas nada de especial importância. Está nesta Volta a Portugal com o objectivo de vencer uma etapa para ganhar o seu espaço na Garmin mas vamos ver se conseguirá. Já provou ser um sprinter competitivo mas que tem algumas dificuldades em bater a concorrência. Tem qualidade para vencer mas necessita da tal ponta de sorte para bater os seus adversários mais directos nomeadamente, Napolitano e Pacheco. No que diz respeito à camisola branca, muito dificilmente a vencerá já que já se encontra a uma distância muito grande dos primeiros e pela conjectura actual, não se vêem perspectivas de a conseguir recuperar.


Blog de Christian Meier, o campeão canadiano da Team Garmin que corre na Volta a Portugal fala sobre estes dias.

segunda-feira, agosto 18

Ciclismo de Pista nos JO e algumas breves.

Tem sido um bom espectáculo para quem tem observado as competições de ciclismo de pista. Um grande domínio da Grã-Bretanha como aconteceu no Campeonato do Mundo em Maio, e com Bradley Wiggins (no 4000m Sprint Individual e 4000m Perseguição Colectiva - record mundial com 61.719 km/h de média) e Chris Hoy (no Sprint Colectivo e Keirin) já com duas medalhas de ouro. Em outra competição, o espanhol Joan Llaneras confirmou o seu favoritismo ao vencer a Corrida por Pontos, o espanhol sempre vigiado por todos teve uma tarefa muito difícil com muitos ataques mas no final juntamente com Kluge (2º classificado), conseguiu ganhar a vantagem que o permitiu vencer a corrida.

A Grã Bretanha como já disse tem dominado estes Jogos Olímpicos no Ciclismo de Pista, para isto têm uma grande estrutura com muitos treinadores e dos melhores sitiada no Velódromo de Manchester. Toda a equipa é preparada aí durante 4 anos e o orçamento de 32 milhões de euros para a British Cycling (Federação Inglesa) já foi confirmado pelo Governo para os próximos quatro anos. Os mais recentes corredores de ciclismo de estrada que daí saíram foram Mark Cavendish (Team High Road) e Geraint Thomas (Barloworld).


Bradley Wiggins e Mark Cavendish na prova de Madison.


Amanhã (terça feira) pelas 10:30 (hora de Lisboa) será a final de Madison Masculinos e também a oportunidade de Wiggins vencer a sua terceira medalha de ouro; juntamente com o jovem Cavendish são os actuais Campeões do Mundo nesta categoria e os principais favoritos. Para quem não conhece esta modalidade é aquela onde os dois corredores da mesma equipa dão as mãos por breves instantes, permitindo assim que o corredor que estava a descansar entre novamente na corrida e outro passe a descansar. Neste conjunto enquanto Wiggins estabelece um ritmo elevado durante 3 a 4 voltas, Cavendish aguarda para entrar em acção durante uma volta, a volta e meia, e tentar vencer o sprint intermédio ganhando assim alguns pontos.

Amanhã será a final de Sprint Individual Masculino às 11:35 (hora de Lisboa), podem ver na internet no cyclingfans.com onde há vários links.


Na Volta a Portugal a comunicação social lá teve que arranjar uma polémicazita para apimentar as suas resportagens e diários, o assunto foi os comentários de Orlando Rodrigues que na minha opinião sem maldade, apenas com alguma inveja. Tal como afirmou posteriormente apenas constatou que a Liberty Seguros esteve muito forte naquele dia e usou o Vitor Rodrigues como termo de comparação com os dias anteriores, nada mais. O mesmo sentimento em relação à atitude de Rubén Plaza ao voltar para trás mal passou a meta na Torre, já vi muitos noutras competições a fazerem o mesmo e não o vejo como uma atitude anti-desportiva, apenas achei que depois de uma corrida tão dura num dia daqueles, o espanhol estava desejoso de ir para a caminha como diz o outro*. Talvez eu ainda seja um bocado ingénuo...

*o outro foi o atleta Marco Fortes (" de manhã só na caminha") que para quem não tem noção do sacrifício de um atleta profissional, até pode pensar que é verdade (claro que não). Em vez de criticarem os comentários dos atletas, recomendo que critiquem os poucos apoios que estes têm, no caso deste atleta ele treina sozinho e tenho a certeza que qualquer um que esteja lá, está a dar o seu melhor!!


Continuando no ciclismo Haimar Zubeldia actualmente na Euskaltel foi contratado pela Astana por duas épocas. Zubeldia teve nesta, a sua pior época de sempre e nem no Tour de France onde habitualmente obtinha bons desempenhos, conseguiu aparecer. Juntamente com um ordenado muito melhor e um acréscimo de motivação decidiu mudar-se de equipa pela primeira vez na sua carreira profissional. O basco já três vezes no top 10 do Tour será um reforço importante a partir de 2009 para a nova sequela de Johan Bruyneel, tornar Alberto Contador o novo Armstrong, isto se a ASO deixar claro...


Bradley Wiggins lidera a Grã Bretanha na prova de Perseguição Colectiva.


Extra-Ciclismo (Medalha de Prata para Vanessa Fernandes)

Ontem assisti a uma brilhante prestação, muitos parabéns à Vanessa Fernades. Fez uma prova perfeita mas na segunda transição perdeu a medalha de ouro. Entrou muito bem em primeiro no parque mas à saída era 7ª ou 8ª e mais importante a cerca de 10 segundos de Snowsill, a vencedora. No triatlo as duas situações mais intensas são sem dúvidas a saída da água e principalmente a transição da bicicleta para a corrida. Olhando para mim há uns anos atrás, o meu ritmo ia aumentando durante a prova de ciclismo mas assim que saímos para a corrida, entrava no “red line”. Antes de estabelecer o meu próprio ritmo de corrida, os primeiros 500m a 1km são dos mais duríssimos, nem conseguia beber água tal era a intensidade e apenas molhava a boca esperando entre o primeiro e o segundo quilómetro para me abastecer. Mesmo que a Vanessa tivesse saído na frente, a australiana provou que foi a mais forte na corrida no entanto mais do que nas outras duas componentes, na corrida o psicológico é fundamental. Vanessa na corrida nunca conseguiu colar-se à Snowsill pois esta atacou forte no início. A portuguesa bem tentou recuperar terreno mas à medida que não ia conseguindo, a moral baixava e depois com as outras logo atrás teve que alterar as suas prioridades. Um segundo lugar nuns Jogos Olímpicos onde muito pode acontecer e sem dúvida o local mais difícil para superar qualquer objectivo, uma medalha de prata é sem dúvida um grande feito principalmente para um país como o nosso onde só se vê futebol, o mais grave não é ser as pessoas mas sim as organizações deste país.


Fotos tiradas por John Pierce / PhotoSport International no Campeonato do Mundo em Manchester.

domingo, agosto 17

Serra da Estrela

Esta é a subida que quando quer que apareça tem sempre uma importância fulcral na Volta a Portugal. Este texto será um resumo da minha leitura da etapa de ontem.

- David Blanco o mais forte - após a etapa de ontem David Blanco tornou-se o principal candidato à vitória final da Volta a Portugal. Ainda temos muita volta pela frente, é certo, mas a sua prestação ontem foi excelente, superiorizando-se a toda a concorrência. Se juntarmos a isto o facto de ele ter lutado contra dois adversários (Koldo Gil e Hector Guerra subiram a serra juntos, ajudando-se mutuamente) concluímos facilmente que o corredor do Palmeiras resort Tavira está em grande forma. Para finalizar, se se lembram foi na etapa da Torre que ele perdeu muito tempo no ano passado o que o torna ainda mais candidato já que teve uma óptima prestação na mesma etapa, este ano.

- Liberty insuficiente - Rui Sousa não tem estofo para liderar esta equipa, apesar da magnífica vitória que obteve. Portanto o facto de Guerra e de Gil terem sido batidos por um Blanco totalmente sozinho não deve ter caído muito bem ao seu director desportivo. Se a Liberty quer mesmo vencer a Volta a Portugal terá de melhorar substancialmente porque o que fez na subida à Serra não será suficiente para bater Blanco.

- Benfica mal no mercado - já tinha esse medo e ontem ele veio a confirmar-se: o Benfica movimentou-se muito mal no mercado de transferências nesta época. José Azevedo confirmou o ano passado que não consegue vencer a Volta a Portugal portanto, a menos que aceitasse trabalhar para Plaza deveria ter sido preterido. Cândido Barbosa é um corredor excessivamente completo o que faz com que não seja realmente muito bom nalguma especialidade o que o impede de vencer a Volta a Portugal. Ruben Plaza foi uma contratação acertadíssima. Defende-se muito bem na montanha e no contra relógio é o mais forte do pelotão... mas precisa de um apoio à altura. O Benfica deveria ter contratado um ciclista com as características do Koldo Gil, por exemplo. Viu-se claramente na etapa de ontem que faltava alguém a Ruben Plaza e que se ele lá tivesse esse alguém apenas perderia tempo para David Blanco (que se apresentou mesmo muito bem).


sábado, agosto 16

Ciclismo de Pista: Wiggins começa a sua saga pelas medalhas de ouro!


Hoje começa a luta pelas medalhas de Bradley Wiggins, um dos grandes nomes da actualidade do ciclismo de pista e que corre pela Team Columbia no ciclismo de estrada. O britânico vai tentar quebrar um record do seu país ganhando três medalhas de ouro nos mesmos Jogos Olímpicos. Há quatro anos ganhou algumas distribuindo-se pelo ouro, prata e bronze. Este ano irá tentar nas modalidades Perseguição Individual , Perseguição Colectiva e ainda Madison juntamente com Mark Cavendish.

Bradley Wiggins nas qualificações de Perseguição Individual já demonstrou que é o favorito estabelecendo um novo record olímpico, mesmo sendo seu o anterior. A final decorre às 11:50 de sábado (hoje), e ainda haverão as seguintes:

10:50-11:30 Ciclismo de Pista – Corrida por Pontos Masculinos - Final

12:15-12:20 Ciclismo de Pista –Keirin Masculinos – Final 1-6

12:20-12:25 Ciclismo de Pista –Keirin Masculinos – Final 7-12

Não sei se pelo menos vai dar na Eurosport, no entanto neste site têm alguns links onde poderão ver estas finais. Cyclingfans.com


Já no ciclismo de estrada Stijn Devolder vencedor da Volta ao Algarve deste ano sagrou-se há dias Campeão Belga de Contra-relógio deixando Leif Hoste, o antigo campeão em segundo lugar.

Thomas Dekker deixa este ano a Rabobank e no seu site afirma que está em negociações com a Garmin-Chipotle, a equipa norte-americana que participa na Volta a Portugal.


Falando em Volta, hoje é o primeiro grande teste aos que lutam pela vitória na corrida portuguesa. Tal como Hector Guerra afirmou não será um dia decisivo mas irá definir os que ainda continuarão na luta nos dias finais. Guerra e Plaza irão-se estar marcando um ao outro enquanto a Fercase e talvez a Saunier Duval passarão ao ataque, ambas as equipas de excelentes trepadores que têm aqui a sua oportunidade de ganhar tempo aos dois que até agora são os principais favoritos, Guerra e Plaza.


Extra-Ciclismo (JO)

Não poderia passar estes post sem escrever sobre o herói destes Jogos Olímpicos, o nadador Michael Phelps! Impressionante... hoje igualou a marca de Mark Spitz conquistando a sétima medalha de ouro. Foi espectacular os 100 mariposa, Phelps com um tempo modesto à passagem dos 50m fez mais uma excelente recuperação e apesar da grande luta do sérvio Cavic, o americano conseguiu acabar em primeiro imaginem por quanto... 1 centésimo foi o suficiente. Ultrapassado este obstáculo bastante difícil certamente os americanos não deixarão fugir a oitava medalha que falta para o seu ídolo nos 4x100 estilos a realizar amanhã.

Também não poderia passar ao lado de outro grande feito. Depois de uma brilhante medalha de bronze nos 100m livres, o brasileiro Célio Filho conquistou a primeira medalha de ouro para o Brasil na natação!! Célio demonstrou o seu domínio ao liderar praticamente do princípio ao fim os 50m livres e no final não conteve as suas lágrimas...Muitos afirmavam que seria o “velocista” do futuro na natação, demonstrou isso nestes Jogos.


Foto cedida por: Dot-cycling.

sexta-feira, agosto 15

CRI dos Jogos Olímpicos

É certo que já passaram dois dias depois desta prova dos Jogos Olímpicos mas mesmo assim acho que o contra relógio individual merece uma abordagem. Aqui vou eu mencionar os corredores que mais me surpreenderam pela positiva e as maiores desilusões.

Supresas positivas:

2 Gustav Erik Larsson (Sweden) 0.33.36 - esta foi a maior surpresa deste contra relógio. Muito pouca gente esperava um resultado tão bom por parte deste ciclista, talvez mesmo só o próprio ciclista. Este corredor sueco já mostrou nalgumas provas anteriores ter alguma qualidade mas nada fazia prever esta sua incursão entre os melhores contra relogistas do mundo. Vejamos se estas boas performances são para manter porque se isso se verificar, temos aqui um excelente ciclista no esforço solitário.

3 Levi Leipheimer (United States) 1.09.68 - se é certo que este norte americano sempre foi reconhecido como um dos melhores no crono, não é menos verdade que há ciclistas mais capazes neste tipo de contra relógios do que Leipheimer. O facto de não ter participado na Volta a França beneficiou-o e fez com que este bom resultado fosse possível.


7 Svein Tuft (Canada) 2.28.01 - bom, eu nunca tinha ouvido falar neste ciclista e vê-lo fazer um 7º lugar no contra relógio dos Jogos Olímpicos deixou-me muito surpreendido. Contudo, após ter pesquisado o seu palmarés este resultado deixou de ser tão surpreendente. Já tem alguns bons resultados em contra relógios e não deixa de ser estranho que um corredor com este boa qualidade ainda esteja a correr na América. Pode ser que este resultado o catapulte para outros vôos na Europa.

Desilusões:

13 Stefan Schumacher (Germany) 3.13.95 - não só pelo que fez na Volta a França mas também pelo seu discurso ambicioso desiludiu-me bastante. Schumacher já mostrou que era capaz de bater qualquer ciclista em qualquer contra relógio e acredito que o título olímpico fosse mesmo um importante objectivo para este atleta.

14 Bert Grabsch (Germany) 3.14.77 - o campeão alemão de contra relógio devia ter-se apresentado num nível melhor numa especialidade na qual podia alcançar as medalhas. A qualidade deste ciclista permitia-lhe conquistar uma medalha e julgo que deveria ter investido mais nesta prova. Um 14º lugar não reflecte a sua qualidade pelo que me deixou insatisfeito ver esta classificação.

27 Laszlo Bodrogi (Hungary) 5.16.06 - grande especialista no esforço solitário não foi capaz de fazer melhor que um 27º lugar. A sua qualidade permitia-lhe fazer muito mais inclusivamente uma classificação no top 5. Esperemos que isto não esteja a indiciar um declínio das capacidades deste ciclista já que ainda podia/pode dar muito às equipas que vá representar.